As mudanças climáticas no planeta têm colocadas em debate o modo como o ser humano pensa e utiliza a água doce disponível. Muitas são as opiniões acerca deste assunto que passou a ganhar ainda mais espaço nos centros de pesquisa, na mídia, nas ruas. Foi com o objetivo de aprofundar esta discussão, chamando atenção das causas e não apenas das consequências que aconteceu esta quarta-feira, 21, seminário com o tema “Uso e gestão da água” durante a sexta edição da Feira SemiáridoShow.
As/os palestrantes e o público abordaram questões como a crise hídrica, soberania hídrica, políticas públicas voltadas para o Semiárido, dialogando com o contexto brasileiro. Embora o Brasil seja considerado o país mais rico do mundo em reservas hídricas, com 12% de água doce disponível no planeta, a falta de água vem atingindo todo o país. De uns tempos para cá, regiões brasileiras consideradas ricas em reservas hídricas tiveram que lidar com a falta d’água.
A ação antrópica tem contribuído para as mudanças climáticas. O uso irracional da água, o desmatamento das matas ciliares, são exemplos dessas ações. No Semiárido, especificamente na bacia do São Francisco, é preciso ampliar medidas que garantam o uso racional da água, inspirando-se em estudos, técnicas e experiências baseadas especialmente na proposta de Convivência com o Semiárido.
“A nossa ação acelerada está modificando a atmosfera do planeta. É preciso uma gestão emergencial no quesito das enchentes e das secas. Precisamos ter medidas legislativas quanto ao uso da água, por exemplo, no Rio São Francisco, como a recuperação hidroambiental da Bacia e pensar políticas voltadas para a adaptação, para a Convivência com o Semiárido”, ressaltou Anivaldo Miranda, presidente do Comitê de Bacia Hidrográfica do São Francisco.
Enfrentamento à crise
O direito água é para todos e todas e já está sendo discutido através de órgãos internacionais o direito também para futuras gerações. João Gnadingler, colaborador do Irpaa, avalia que embora haja racionamento por parte da população não é o suficiente, uma vez que ainda há grandes empresas de agricultura irrigada no Vale do São Francisco que utilizam a água de modo despreocupado e, inclusive, pagando pouco por isso.
Para Anivaldo Miranda, o poder público não é o único responsável pelos problemas ambientais. É necessário ter ações em conjunto, incluindo usuários, planejadores e agentes políticos em todos os níveis.
O professor Thiago Alves, da escola estadual Dom Helder Câmara, de Lagoa Grande (PE), falou sobre a necessidade de conscientização, dando exemplo de trabalho feito com escolas. “Estamos com o projeto na escola. A maioria dos alunos é ribeirinha, eles estão vivendo diariamente com a degradação do rio, queremos trabalhar com a teoria e a prática para que haja a conscientização a respeito da situação do Rio, através de palestras, vídeos e com a vivência na sala de aula”, ressaltou.
O Seminário integrou a programação da sexta edição do SemiáridoShow que reúne dirariamente cerca de 4 mil pessoas na área da Embrapa Produtos e Mercados, em Petrolina. O evento é uma realização da Embrapa em parceria com o Irpaa e apresenta uma série de propostas apropriadas a região semiárida.
Fonte: ASCOM SemiáridoShow




