Uma vez Feminista, sempre Feminista
O dia 8 de março foi escolhido como marco na luta das mulheres devido ao fato ocorrido em 1857, quando o movimento de mulheres trabalhadoras de uma fábrica de tecidos, em Nova Iorque, fez uma grande greve e ocuparam a fábrica, reivindicando melhores condições de trabalho. O movimento foi fortemente reprimido, as mulheres trancadas na fábrica que foi incendiada.
Não se deve ignorar a importância desse fato para os movimentos de mulheres e feministas em todo o mundo. Entretanto, sem perder capacidade de problematizar as diversas realidades de mulheres no mundo naquele período e que marcas isso traz para os dias de hoje, há que se considerar que em 1857, mulheres negras ainda eram escravas nos EUA e no Brasil. O que isso quer dizer? Que o 8 de março é um marco na luta das mulheres, mas este marco não significa nada para milhões de mulheres negras, indígenas, etc.
Ter participado de um movimento feminista de viés classista me fez enxergar além da minha própria realidade, embora, o desafio seja ainda entender na prática toda a diversidade de mulheres que existem e todas as opressões que sofrem. Embora eu esteja afastada da militância, uma vez feminista, não há como voltar atrás. Se não estivermos fazendo uma reflexão sobre as diversas lutas de mulheres, para quem estamos fazendo o feminismo? O feminismo é para todas as mulheres
Taísa Magalhães, estudante de Ciências Sociais da Universidade Federal do Vale do São Francisco – UNIVASF




