Famílias de Beatriz Mota e Alison Dantas participaram da mobilização. Da Presidente Dutra, manifestantes seguiram para a frente do Colégio.
A Ponte Presidente Dutra ficou bloqueada por cerca de 1 h na manhã deste sábado (4). A manifestação pediu justiça em três crimes ocorridos no Vale do São Francisco nos últimos meses. A mobilização convocada pelo grupo ‘Beatriz Clama por Justiça’ reuniu amigos e familiares de Beatriz Mota, assassinada a facadas no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, de Alison Dantas, mortos a golpes de facão por um vizinho no bairro Quati, ambos os casos em Petrolina, no Sertão pernambucano, e de Filipe Kupi, estudante atropelado na cidade vizinha, Juazeiro, no Norte da Bahia.
Em Petrolina, a concentração começou por volta das 7h30 próximo à subida ponte. Com faixas e pedidos de justiça, os manifestantes ganhavam o apoio dos motoristas que buzinavam ao passar pelo grupo. Esta foi a 6ª manifestação que lembrou a morte de Beatriz Mota, de 7 anos, assassinada em dezembro de 2015 com mais de 40 facadas durante uma solenidade de formatura que ocorria com as turmas do 3º ano do colégio. Há quase seis meses após o assassinato, ainda não há uma resposta sobre os autores do crime. “Meu sentimento em relação a até agora não ter recebido resposta é de vergonha. O meu sentimento não é de desespero, mas de dor, sofrimento e saudade. A sociedade cansou de tanta impunidade e nós queremos respostas”, disse a mãe de Beatriz, Lúcia Mota.
Lucinha e Sandro Romildo saíram com o grupo de Juazeiro, onde moram e encontraram os manifestantes de Petrolina no meio da Ponte Presidente Dutra. Com mãos algemadas, eles pediram uma solução do caso. “A minha luta por justiça é eterna. Minha vida parou. Preciso de uma resposta. A gente tem que cobrar realmente. Pedimos a compreensão da sociedade de Juazeiro e Petrolina. A gente para a ponte em um dia movimentado e sabe que é um transtorno para todas as pessoas que trabalham, mas um transtorno curto de uma hora, mas o meu transtorno já dura 177 dias. A pergunta que não quer calar é: e se fosse seu filho, o que você faria?”, questionou o pai de Beatriz, Sandro Romildo.
A mãe de Alison Dantas, Ana Cláudia Dantas, também participou da manifestação deste sábado. O crime ocorreu no dia 30 de outubro e o garoto foi atingido com golpes de facão por um vizinho que o acusava de “roubar sinal de internet”. Diferente de caso de Beatriz que a autoria do assassinato não foi comprovada, a Polícia Civil tem as informações sobre o criminoso que matou Alison, mas 7 meses após o responsável ainda não foi localizado. “O sentimento é de dor, angústia e revolta por não ter nenhuma resposta da justiça. Procuramos a delegada responsável, mas a resposta sempre é a mesma, de que o pedido de prisão foi expedido, mas eles não vão atrás. Eles dizem que não podem coagir a família”, lamentou a mãe de Alison.
O crime contra o estudante Filipe Kupi ocorrido em Juazeiro também ainda está sem solução e, por isso, também foi inserido no protesto. Segundo uma das organizadoras da mobilização, Daniele Reis a junção dos casos tem o objetivo de unir forças por justiça. “O nosso maior intuito é aumentar o clamor. Os movimentos surtem efeito. Servem não apenas para cobrança, mas para provocar reflexão na sociedade. Este movimento é para deixar o individualismo de lado. Aqui não são três crimes, mas são vários em Petrolina e Juazeiro”, declarou Daniele Reis.
O trânsito ficou congestionado por mais de uma hora. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), participaram da mobilização entre 300 e 400 pessoas. Da Ponte Presidente Dutra, a mobilização seguiu para a frente do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, no Centro, onde foram colocados balões em forma de corações.
Nenhum representante da escola esteve no momento do protesto, mas em nota, informaram que eles têm “colaborado, irrestritamente, com as investigações e tem sido parceira das autoridades policiais, repassando todo tipo de informação ou material que possa servir à elucidação do caso”. Além disso a nota explica que “o corpo jurídico da unidade de ensino mantém ligação direta com as autoridades para prestar esclarecimentos e atender o que for solicitado”.
G1 Petrolina/ Foto: Amanda Franco




