Em dia de mobilização, professores de São Paulo aprovam greve

Professores do estado e do município de São Paulo aprovaram nessa quarta-feira (15) novas paralisações e greve, durante assembleia que fez parte do Dia Nacional de Mobilização, convocada por centrais sindicais e movimentos sociais. Os professores municipais fizeram uma assembleia à tarde no Viaduto do Chá, ao lado da prefeitura, e confirmaram a greve que estava marcada para começar nesta quarta-feira.

A Agência Brasil não obteve resposta do Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal  para saber qual foi a adesão dos professores e escolas à paralisação. A Secretaria Municipal de Educação informou que, das 1.548 escolas da rede, 683 paralisaram totalmente, 761 pararam parcialmente e 104 funcionaram normalmente. Segundo a prefeitura, excepcionalmente hoje, os servidores que não conseguiram chegar ao trabalho não terão o dia descontado.

Os professores da rede estadual, por sua vez, fizeram uma assembleia na Praça da República e aprovaram greve para os dias 28, 29 e 30 de março, com uma nova assembleia marcada para o dia 31.

Por meio de nota, a Secretaria Estadual da Educação disse que pagará um bônus por mérito aos cerca de 200 mil profissionais do setor, entre professores e servidores, que totalizará R$ 290 milhões. “Todo o conteúdo perdido [com a paralisação] será reposto em data a ser determinada. Os docentes que não justificarem a falta terão o dia descontado”, diz o comunicado. A secretaria informou ainda que manterá uma mesa de negociação com os sindicatos da categoria.

Após as respectivas assembleias, os professores seguiram para a Avenida Paulista, onde um grupo de manifestantes se concentrava desde as 15h. De acordo com a organização, cerca de 200 mil pessoas participaram do protesto contra a reforma da Previdência e o governo. A Polícia Militar não estimou o número de participantes.

A Agência Brasil procurou a Secretaria da Previdência Social, mas a assessoria de imprensa informou que o órgão não iria se manifestar.

Opiniões

A profissional autônoma Roselei Rodrigues, de 50 anos, disse que não estava na avenida para protestar. “Vim para uma consulta, mas concordo que vai ter mais dificuldade para se aposentar. Eu acho que nem me aposento, pelo andar da carruagem.”

O protesto teve a adesão também do professor universitário Daniel Huertas, de 44 anos. “[Sou contra] cortar direitos conquistados com muita luta, sobretudo da classe trabalhadora”, opinou.

A desempregada Márcia Calegari, 51 anos, de que participa do movimento por moradia, disse estar preocupada com o novo tempo de contribuição proposto pela reforma. “Já trabalho há quase 30 anos, mas agora isso atrapalhou os planos.”

Muitos vendedores mbulantes aproveitaram a manifestação na Paulista para faturar, como Carlos Fernandes, de 39 anos. “Estava aqui no impeachment da Dilma também. É a tendência, onde tem movimento, passeata, a gente vende. Eu mesmo sou de direita, mas acho que a reforma da Previdência ofende todo mundo”, disse.

Guilherme Boulos, da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto e um dos organizadores do protesto, afirmou que os atos no país não se restringem à Previdência. “É o mais urgente, porque está no Congresso para ser votado nas próximas semanas, um ataque sem precedentes na história recente aos direitos dos trabalhadores.”

Escolas suspendem atividades

Também nesta quarta-feira, várias escolas públicas do estado de São Paulo suspenderam suas atividades. Segundo o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo , a paralisação em todo o estado teve 80% de adesão. A Secretaria Estadual da Educação, no entanto, contestou o dado, informando que a adesão ao Dia Nacional de Paralisação atingiu apenas 4,25% das escolas estaduais na manhã de hoje e 6,48% à tarde.

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