O Reino Unido acordou em choque nesta terça-feira (23), diante das cenas de pânico e caos que se viu na noite de ontem na cidade de Manchester, a segunda maior do país. Segundo a polícia, um homem-bomba detonou um artefato caseiro por volta das 22h30, pelo horário local, quando cerca de 21 mil pessoas deixavam a Manchester Arena depois do show da cantora Ariana Grande. A explosão ocorreu no hall do prédio, perto da entrada de uma estação de trem.
A polícia ainda não divulgou a identidade do autor do ataque, mas disse que está investigando se ele agiu por conta própria ou faz parte de alguma rede envolvida em atividades extremistas.
Trata-se do maior atentado já visto em Manchester e o segundo maior em solo britânico em tempos recentes, desde as explosões coordenadas no metrô de Londres, que deixaram 52 mortos, em 2005.
A primeira-ministra britânica, Theresa May, convocou para esta manhã uma reunião de emergência da chamada Comissão Cobra, que reúne membros do governo os serviços de inteligência do país. Em um comunicado divulgado durante a madrugada, May descreveu o ataque como “assustador” e disse que as autoridades estão trabalhando para esclarecer todos os detalhes da explosão.
Solidariedade da população
Durante a noite e na manhã desta terça-feira, vários moradores da região metropolitana de Manchester ofereceram suas casas para abrigar sobreviventes do ataque que vieram à cidade especialmente para o show. A polícia instalou um posto de apoio às vítimas em outro ginásio da cidade.
Pelo Twitter, a cantora Ariana Grande lamentou o atentado e disse estar arrasada.
O prefeito de Londres, Sadiq Khan, anunciou que a capital terá sua segurança reforçada nestes próximos dias.
Campanha eleitoral suspensa
O atentado ocorre a pouco mais de duas semanas das eleições gerais, marcadas para 8 de junho no país. Todos os partidos políticos anunciaram nesta terça-feira que suspenderam suas campanhas, por tempo indeterminado.
O líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, afirmou ter conversado com a primeira-ministra, Theresa May, por telefone, e que os dois concordaram com a suspensão das campanhas. Corbyn descreveu o ataque como um “incidente terrível” e elogiou “a coragem e o profissionalismo” dos serviços de emergência.
O Partido Nacional Escocês, que planejava divulgar hoje o seu programa de governo, decidiu cancelar o evento. A líder do partido e primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, disse que o ataque foi uma “barbárie” e convocou uma reunião de emergência do governo escocês.
Os líderes dos demais partidos também expressaram seu repúdio ao ataque e apoio às vítimas e seus familiares.
Analistas dizem que ainda é cedo para avaliar o impacto do atentado na campanha, mas até a segunda-feira, as pesquisas de opinião indicavam uma diminuição acentuada da margem de votos entre o Partido Conservador, que continua na liderança, e o Partido Trabalhista.
Fonte: RFI




