Facebook muda controle de privacidade e pergunta se usuário quer exibir tendência política ou religiosa

data-with-special-protections-001O Facebook anunciou nesta terça-feira (17) que começará a perguntar se usuários querem revisar como a rede social lida com suas informações pessoais.

A começar pelos europeus, para se adequar ao Regulamento Europeu de Proteção de Dados (GDPR), que entra em vigor em maio, a rede social começará nesta semana a questionar se seus membros querem:

  • compartilhar preferências políticas e religiosas com ela;
  • receber anúncios com base em dados de outras plataformas;
  • permitir uso da tecnologia de reconhecimento facial.

O Facebook já havia anunciado no fim de janeiro, antes da explosão do escândalo em torno da consultoria política Cambridge Analytica, que iria liberar medidas para se ajustar às novas normas de proteção dos dados pessoais dos cidadãos europeus. Também já havia informado que as mudanças seriam estendidas a usuários que não fizessem parte da União Europeia.

O GDPR exige, por exemplo, que empresas informem claramente aos usuários como usam seus dados e que peçam sua autorização a respeito de uma eventual exploração de suas informações.

“Todos — independente do local em que morem — serão convidados a examinar informações importantes sobre a maneira como o Facebook utiliza seus dados e a fazer escolhas a respeito de sua privada no Facebook”, informaram em comunicado conjunto Erin Egan, diretor de privacidade do Facebook, e Ashlie Beringer, responsável pela área jurídica da empresa.

As novas medidas serão aplicadas “nas próximas semanas e meses no mundo inteiro”, afirmou Rob Sherman, diretor adjunto de segurança do Facebook.

“Nossa intenção é propor os mesmos parâmetros e controles de confidencialidade em todo o mundo”, destacou Sherman.

O que o Facebook vai perguntar

  • Preferências pessoais

Os usuários receberão uma mensagem na qual serão questionados se desejam continuar compartilhar informações com a rede social como preferências políticas e religiosas, além do status de relacionamento.

  • Anúncios

Também poderão decidir se querem receber propagandas no Facebook que usem informações pessoais levantadas por outras empresas. Esses dados podem ter diversas origens. Podem ser coletados quando algum site inclui em suas plataformas os botões “curtir” e “compartilhar”. Ou chegarem ao Facebook por meio de um banco de dados de um terceiro, como ocorria até março com o Serasa no Brasil.

  • Reconhecimento facial

Os usuários serão consultados sobre se permitem ou não o uso do reconhecimento facial, que permite ao Facebook identificar usuários em fotografias. Com esse recurso, por exemplo, a rede social pode avisar uma pessoal de que uma imagem sua está prestes a ser postada. Caso ela não autorize, a foto não vai ao ar.

Essa mudança faz parte de uma pressão sobre o Facebook que já fez a empresa alterar seus termos de serviço e sua política de privacidade.

Escândalo de vazamento de dados

A empresa enfrenta um escândalo relacionado ao vazamento de dados de 87 milhões de usuários para a empresa Cambridge Analytica, especializada em comunicação estratégica, que trabalhou para a campanha do presidente americano Donald Trump nas eleições de 2016.

O CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, passou na semana passada por 10 horas de interrogatório no Congresso americano sobre os problemas.

A ida de Zuckerberg ao Congresso dos EUA ocorre na esteira do escândalo da manipulação indevida de dados de 87 milhões de usuários pela Cambridge Analytica, consultoria política que trabalhou para Donald Trump durante a corrida eleitoral de 2016 e na campanha para a saída do Reino Unido do Brexit.

A forma como as informações foram obtidas pela empresa britânica colocou no centro da discussão o modelo de negócio do Facebook e de outras empresas de tecnologia, que coletam, processam e armazenam dados de seus usuários para segmentar a distribuição de anúncios.

A polêmica da Cambridge Analytica ocorre em um momento em que começou a intensificar a pressão para regulamentar a atuação de empresas de tecnologia que mantêm plataformas, em que pessoas depositam grande quantidade de conteúdo.

No fim de fevereiro, a Câmara dos Deputados dos EUA aprovou uma lei que mudou um dos grandes paradigmas legais em torno de companhias de internet: a responsabilização judicial delas em caso de ações ilícitas praticadas por usuários.

G1

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