Há duas coisas as quais muito me aborrecem no tratamento humano. Uma é quando percebo que maltratam uma criança. Seres, em sua totalidade, indefesos e por isso mesmo chamados pela legislação de incapazes (de se defender adequadamente pelo menos). A outra coisa que me tira do sério é ver maltrato dirigido a idosos. E quanto mais idosos e carentes ou humildes forem, maior será a minha indignação.
As crianças possuem muitos órgãos e entidades voltados para a sua defesa e amparo, muito embora ainda reste muito a ser feito em prol das mesmas. Contudo os idosos, ainda que tenha havido alguns avanços tanto na legislação como na ação em favor dos mesmos, estes ainda são quase que esquecidos pela grande massa que não só os ignora e à vezes os trata como “invisíveis” como também os poucos direitos ora conquistados lhes são surrupiados de forma cínica e desonesta.
Esquece-se quem maltrata idosos que, se tiver essa graça de viver muito, um dia também será como eles hoje são. Mal sabem eles que as gerações futuras, se nada for feito AGORA, tendem a ser ainda mais impiedosas frias e indiferentes no trato com os mais velhos. Se eu fosse um pouco mais jovem não em preocuparia apenas em ter um bom plano de previdência para aposentadoria. Mas, desenvolveria também um bom plano de relacionamento para lidar com os jovens. Não falo dos netos e filhos de amigos próximos ou netos desses. Não, não mesmo. Falo dos jovens que ainda nem nasceram e que serão aqueles que poderão abusar de nós, na velhice, nos desrespeitando, humilhando e tratando como “escória social” ou poderão ser os nossos defensores que nos olharão com respeito e verão em nós exemplo dignidade, sabedoria e experiência de vida para lhes ensinar algo. Ou simplesmente que nos respeitem por perceberem que também somos seres humanos como eles. Apenas mais vividos e envelhecidos.
Por outro lado, a postura desrespeitosa, acintosa e diria até um tanto atrevida de alguns idosos que agem como presunçosos etários, achando que o mundo tem que se curvar aos seus pés por conta da sua idade, dificulta a construção desse diálogo de gerações numa aproximação saudável e produtiva ente o que está começando a aprender de fato e o que deseja viver o fato.
Isso é fato social: Se não morremos, todos ficaremos velhos.
Prepare-se pra isso, já!
Pastor Teobaldo – Educador, Teólogo e Psicanalista






