Por Alinne Torres
Há mais de quinze anos a família de Delaídes Paixão se reúne no dia 25 de Dezembro. Irmãos, irmãs, sobrinhos, sobrinhas e sua mãe se encontram e celebram o nascimento de Jesus Cristo, o Natal.
A mesa exposta na varanda da casa, todos os anos, é recheada de diversos pratos típicos como vatapá, peru, pernil, saladas, que são preparados na manhã do dia 25 por toda a família. “Temos a tradição de nos reunirmos sempre no dia do nascimento de Jesus Cristo. O costume foi criado por meu pai, que já é falecido, e minha mãe. A intenção é reunir todos os meus irmãos e sobrinhos, já que muito moram distantes”, conta Delaídes. Apesar de ser na hora do almoço, para a família de Delaídes o momento se caracteriza como a tradicional ceia de Natal.
Na casa da família de Monique Lafayett, a Ceia de Natal obedece aos tradicionais costumes e acontece todos os anos na noite da véspera de Natal, no dia 24. A família reúne quatro gerações originárias do casamento dos seus avós, Tide Moura e José de Moura.
“Antes da ceia nós trocamos presentes e sempre fazemos nossa oração para lembrar que essa data é principalmente para relembrarmos o nascimento de Jesus e que é tempo de renovação, de união, de perdão”, frisa Monique. No dia 25 a família de Monique continua reunida até o final do dia e para marcar a união confraternizam o Natal também com um almoço.
As Ceias de Natal surgiram de um conjunto de tradições que variam de país para país. De acordo com o historiador, Rafael Cruz, a origem das ceias está relacionada ao costume das famílias europeias medievais de abrirem as portas de suas casas para que peregrinos e viajantes pudessem celebrar juntos o nascimento de Cristo.
“Com o passar dos anos, cada país adotou pratos comuns de sua região, por exemplo, em Portugal a ceia tem bacalhau com couve e batata, já na Alemanha come-se a carne de porco e na Rússia é comum à abstenção do consumo de carne”, explica Cruz.
O historiador salienta ainda que o peru foi uma tradição incorporada mais tarde, já que a ave é nativa da América e só entrou no cardápio europeu a partir do século XVI, tornando-se posteriormente o símbolo principal da ceia natalina.
Mas, é no clima natalino que os votos de fraternidade e amor são reafirmados pelas famílias durante as ceias. Para Delaídes Paixão o momento é de união. “A reunião também é para manter vivos os votos de amor, união e paz”, afirma.




