Por Jacqueline Santos


De janeiro deste ano até ontem (23), Juazeiro registrou 197 notificações de suspeita de dengue e 73 confirmações da doença, de acordo com informações da Secretaria de Saúde do município. Diante de dados como esses e de tantos outros espalhados pelo Brasil, a Moscamed vem reproduzindo, há três anos, um mosquito transgênico que combate ao mosquito selvagem transmissor da dengue.
O inseto é baseado na técnica estéril e possui características preponderantes, dentre elas, o fato de depender de um antibiótico e de receber marcadores genéticos que facilitam o seu monitoramento. O projeto foi elaborado pela empresa inglesa Oxitec, parceira e dona da pesquisa e está sendo desenvolvido pioneiramente no Brasil, através da Moscamed.
O mosquito transgênico é produzido em laboratório e liberado na cidade. Segundo uma das supervisoras do projeto, a bióloga Michele Pedrosa, só são liberados mosquitos transgênicos machos. “Ao serem liberados, os mosquitos transgênicos irão procurar as fêmeas do Aedes Aegypti para copular. Os filhotes gerados a partir da cópula do transgênico com a fêmea selvagem têm baixa expectativa de vida, pois não receberão antibiótico e morrerão. Com isso, os novos mosquitos não chegarão à fase adulta, diminuindo a população do inseto ao longo do tempo”, explicou.

“Vale ressaltar que só são as fêmeas que transmitem a doença, pois só elas é que precisam de sangue para sobreviver e por isso picam as pessoas”, complementou Michele Pedrosa. O mosquito transgênico é o Aedes aegypti OX513A, que vive em média três dias e pode ser morto com inseticida. A produção do mosquito, desde a fase ovo até a fase adulta dura 10 dias.
Além de Juazeiro, o projeto também é desenvolvido em Jacobina. Segundo Michele, o governo da Bahia solicitou que os mosquitos transgênicos fossem testados na cidade devido aos altos índices de dengue na região.
Em Jacobina, dois bairros, Catuaba e Pedra Branca, estão recebendo os mosquitos transgênicos e, segundo a supervisora do projeto, a ação tem obtido resultados satisfatórios. A previsão é que no próximo mês sejam liberados cerca de um milhão de mosquitos transgênicos. Até o fim do ano, o Instituto pretende liberar em toda a cidade, tornando a ação a primeira no mundo.
Já em Juazeiro, a Moscamed testou os insetos em dois locais, no bairro Itaberaba, onde alcançaram a redução de 85% e no distrito de Mandacaru, onde o índice do mosquito da dengue baixou 95%.
Comercialização do mosquito transgênico
No dia 10 deste mês a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou a liberação comercial do mosquito transgênico desenvolvido pela empresa inglesa Oxitec, em parceria com a Moscamed. O mosquito criado para controlar a população do Aedes aegypti é o primeiro a obter licença no Brasil. A CTNBio aprovou por 16 votos a primeira produção da linhagem OX513A.






