“Hoje, quem manda no Brasil é a Fifa”, diz Romário

650x375_romario_1412000O Baixinho Romário, ou melhor, o deputado federal Romário de Souza Faria, esteve em Salvador para um jogo beneficente em prol da campanha “Brasil X ELA. Todos Contra a Esclerose Lateral Amiotrófica”, da qual é embaixador.

 O ex-jogador de futebol e tetracampeão em 1994, hoje com 45 anos, eleito deputado federal pelo PSB do Rio de Janeiro (6º mais votado do estado, com mais de 140 mil votos), tem tido destaque em sua atuação no Congresso, sobretudo na questão do esporte e do apoio a causas de combate a doenças raras e a pessoas portadoras de necessidades especiais. Nesta quinta-feira, 8, ele abriu uma vaga em sua extensa agenda para falar com A TARDE com exclusividade sobre os grandes eventos esportivos que acontecerão no Brasil, política e futebol.

 Esse jogo beneficente motivou sua vinda à Bahia. É o primeiro evento desse tipo que você faz como deputado?

É a primeira vez que participo de um evento em prol do Movela (Movimento em Defesa dos Direitos das Pessoas com Esclerose Lateral Amiotrófica), mas nós deputados temos um time lá em Brasília, que já existe há um bom tempo, mas que depois da minha chegada lá, assim como a do Danrlei (ex-Grêmio, deputado pelo Rio Grande do Sul) e do Deley (ex-Fluminense, deputado pelo Rio de Janeiro), a gente tem se reunido em prol de jogos beneficentes para diversas causas como APAE e Hospital do Coração. Especialmente, fico muito satisfeito porque uma das minhas bandeiras no Congresso é a defesa de políticas para portadores de necessidades especiais e de doenças raras. Vamos voltar aqui para fazer mais uns quatro ou cinco jogos ainda, porque a causa é muito importante.

Sua atuação no Congresso tem surpreendido muita gente. Você esperava ser um bom político?

Na verdade, eu também fiquei surpreso com minha participação, porque não conseguia ver que em três anos de Congresso minha atuação teria tanta repercussão no Brasil todo e especialmente no Rio de Janeiro. Por outro lado, sempre me dediquei às coisas que considero importante na minha vida, e a política tornou-se uma coisa muito importante. Entrei na política por causa de minha filha, que hoje tem nove anos e tem Síndrome de Down. Entendi que, como deputado, poderia melhorar muito a vida e o futuro dela e de tantas outras pessoas como ela.

Você será mesmo candidato a senador este ano?

Hoje sou pré-candidato ao Senado, mas isso só vai ser resolvido de uma vez por todas no congresso do PSB, que acontece agora no final do mês.

E você se vê ainda por muito tempo na política?

Eu não saberia falar por quanto tempo, mas poderia te dizer que estou gostando muito do que estou fazendo e que se eu tiver oportunidade de ser senador pelo Rio, terei ainda mais possibilidades de fazer mais coisas dentro da política, por meu estado e por aqueles que se enquadram dentro das minhas bandeiras. Por meio da política, pelo que sou, pelo que represento e pelo que fiz no futebol, dei uma visibilidade diferente a causas importantes.

E o ambiente no Congresso, como você se sente?

Assim como o futebol, o Congresso pode ter, em certos momentos, um ambiente sadio, de pessoas sérias que estão lá para trabalhar pelo bem do povo e de seus eleitores. Mas, por outro lado, poder ser muito ruim, porque a maioria lá não pensa assim…

Você tem sido um crítico ferrenho da Fifa e da maneira como o Brasil está lidando com a Copa…

Meu mandato é bastante combativo em relação às coisas que entendo que são erradas e fazem mal para o país. Sobre a Copa do Mundo, a frase típica minha é que ‘A gente já perdeu ela fora de campo e temos que, pelo menos, ganhar dentro’, por tudo que aconteceu, que está acontecendo e que ainda vai acontecer em relação a gastos públicos absurdos e que cada dia a gente tem uma novidade negativa, principalmente no que se refere aos estádios. O legado maior, que seria a mobilidade urbana, infelizmente teve quase 80% retiradas da matriz de responsabilidades. A gente vê tantas notícias sobre aeroportos, violência… Com o povo se manifestando nas ruas, contra o enriquecimento ilícito de tantos políticos, pelos roubos que têm acontecido nos superfaturamento de obras de todos os aspectos da Copa, da falta de planejamento… Tivemos quase sete anos para fazer a Copa e agora, a alguns dias do Mundial, tem um bocado de coisa que não está pronta. E tem também a Lei da Copa, que passou lá por nossa casa [o Congresso Nacional], e deixou a Fifa criar um estado dentro do nosso estado. Hoje quem manda no Brasil é a Fifa e isso é um absurdo. Eu estou aí combatendo isso, fiscalizando e denunciando, fazendo a minha parte, como é minha obrigação não só minha de qualquer parlamentar, mas, infelizmente, muitos não pensam assim.

Outra bandeira forte sua é a do esporte. No ano passado você chegou a encaminhar para o Congresso, um pedido de CPI para investigar a CBF. Como está o trâmite deste pedido?

Consegui colher as assinaturas para o pedido e foram até 15 a 20 a mais do que eram necessárias. Isso foi protocolado, mas na mesma situação que este pedido, existe uma fila de CPIs na Câmara e quando tudo foi feito éramos os oitavos da lista. Conversei com o presidente da casa na época, mas ele disse que achava que ‘era melhor não colocar, porque era época de Copa’, com o que não concordei, porque seria um ótimo momento de moralização para o futebol brasileiro, já que a gente está falando de uma das entidades mais corruptas do futebol mundial, depois da Fifa. Lá [na CBF] tem seu presidente, seus vices, que são pessoas que não querem ou pensam no bem do futebol. Eles querem se enriquecer, roubar, e infelizmente, está essa bagunça aí em nosso futebol.

O Proforte, projeto de renegociação dos pagamentos de dívidas dos clubes, está em via de ser aprovado na Câmara. O que você acha do projeto?

O projeto era bom até a semana passada, quando atingia de frente a CBF e dava a possibilidade de enquadrá-la, em todos os sentidos, para que ela tenha responsabilidade e pague de alguma forma, direta ou indireta, se não cumpri-las. Mas a bancada que a CBF tem no Congresso, que é forte, conseguiu agir e tirar do relatório do deputado Otávio Leite (PSDB-RJ) esses pontos. Do jeito que está, o projeto é fraco e não fará bem ao futebol.

O que achou da intervenção anunciada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) no Rio?

Achei perfeito, fantástico! O Rio já sabe, há alguns anos, que será sede dos Jogos, mas nada está pronto e muita coisa está atrasada. Já tinha passado da hora do COI tomar essa decisão e agora tem uma pessoa lá que tem conhecimento técnico e experiência, independentemente de conhecer ou não o Rio, para tocar as obras e os projetos, algo que por incompetência do Rio-2016, da prefeitura e até mesmo do governo do estado, não ocorreu antes.

Qual sua expectativa para a Seleção na Copa?

A Seleção, principalmente depois do título da Copa das Confederações, passou a ter mais confiança e nossos adversários passaram a respeitar mais o nosso time. O Brasil joga em sua casa e com tudo a seu favor. Hoje, você tem jogadores quem fazem a diferença, como o Neymar e o Fred, que tomara que tenham o mesmo brilho que tiveram no ano passado e ajudem o Brasil a ser hexa.

Ficou satisfeito com a lista?

Mesmo que não tivesse ficado satisfeito, o treinador é o Felipão e ele tem esse direito. Mesmo que não acompanhei muito de perto, porque já não fazia quando jogador e agora ainda menos, como deputado, mas dentro do que vi, a minha surpresa foi a ausência do Diego Cavalieri, apesar de gostar do Victor, e a convocação do Henrique, que quase não foi chamado… Fora isso, esse time tem um grupo com o qual o brasileiro já está acostumado e não está muito longe do que a maioria das pessoas achava.

Você fala que não acompanha futebol, mas consegue ver seu filho Romarinho no Brasiliense?

Ele até mora comigo em Brasília e sempre que tenho tempo vou lá no estádio e nos treinos vê-lo. Acontece, sobretudo, quando há jogos no meio de semana, porque fica menos complicado para mim. Esse ano, então, ano de eleição, fica pior ainda…

Jamais vi você tão tenso quanto na hora que você bateu o pênalti na final da Copa de 1994. Como foi aquele momento para você?

Rapaz, faz mais de 20 anos e vou dizer a você que não me lembro muito de detalhes daquele momento. O que posso falar é que, com certeza, foi um dos maiores, senão o maior, momento da minha carreira, e que eu estava muito nervoso.

E se essa situação do pênalti se repetir com alguém na Copa no Brasil, qual seria seu conselho?

Simples, eu diria ‘sai dessa, meu filho, e deixa para outro, que é mais fácil!’. (risos)

Você ficou fora da convocação de 2002 e viu o time ser campeão. Como foi o momento de ficar fora da lista? E você acha que o Brasil teria sido campeão contigo?

Seria campeão sim, mas jogando mais bonito! (risos). Ficar fora da lista é muito chato, porque a gente espera sempre a possibilidade… Mas a vida segue… A felicidade de minha vitória em 1994 é muito maior do que a minha frustração de não ter ido em 2002.

Você ainda tem intenção de voltar ao futebol?

Não, nenhuma. Meu foco hoje é conseguir me candidatar ao senado, ganhar as eleições e representar meu estado da melhor maneira possível nos próximos oito anos. Depois disso a gente pode rever, mas hoje minha resposta seria ‘não’.

Você se arrepende de algo que fez ou deixou de fazer como atleta?

Cara, eu sempre me arrependi na minha vida das coisas que deixei de fazer, nunca das que eu fiz, mesmo sabendo que muitas coisas não eram para ser feitas na época. Ainda assim, não me arrependo de nada.

Entrevista do A Tarde

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