Por Jacqueline Santos

Ele é curaçaense e expressa a sua arte através de homenagens que expõe em suas telas. Cleuton Ferreira, mais conhecido como Kekê, é o Artista do Vale que o Diário da Região tem o prazer de apresentar nesta edição.
Atualmente Kekê está prestando uma homenagem a um dos filhos mais ilustres de Juazeiro, o jogador da seleção brasileira e do time espanhol Barcelona, Daniel Alves.
Segundo o artista o jogador pediu que as telas fossem guardadas para que sejam autografadas por ele antes de serem vendidas. “O pai de Daniel chegou a chorar de emoção e ele me mandou um vídeo agradecendo a homenagem”, contou Kekê. Segundo o artista as telas serão doadas ao Hospital do Câncer em Barretos.
As 13 telas que estampam o jogador estão expostas em um bar, localizado na orla de Juazeiro, e ficam à disposição do público até o próximo dia 13. O Diário da Região conversou com o artista para saber um pouco mais sobre a sua carreira e seu trabalho.
Diário da Região: Quando foi que despertou o seu interesse pela pintura?
Kekê: Eu comecei a pintar aos sete anos pintando telhas e camisas em Curaçá, e ano que vem já vai fazer 30 anos que eu me entreguei às artes plásticas.
DR: Você vive da sua arte?
Kekê: O que eu faço dá para pagar algumas contas sim. Mas eu também sou funcionário da Prefeitura de Juazeiro.
DR: Quando foi que você resolveu morar em Juazeiro?
Kekê: Eu sou de Curaçá, mas estava morando em Maceió. Em 2007 eu vi que não estava mais dando certo em Maceió e resolvi vir morar em Juazeiro. Eu saí de Curaçá em 1997. E comecei a pintar lá em 85.
DR: Como as pessoas viam seu trabalho naquela época?
Kekê: Viam bem, mas Curaçá é assim como um poço que um tubarão como eu não pode se criar. Eu não posso ser criado em uma lagoa. Eu saí de Curaçá para o mundo.
DR: Atualmente, o que você mais está pintando?
Kekê: Eu agora estou pintando mais telas. Estou preparando uma exposição sobre um vaqueiro de Curaçá para expor durante a Festa dos Vaqueiros de lá. O meu homenageado é Erval Félix, vou expor um filho de Curaçá, um cara que sempre falou de arte. A exposição será no meio da rua.
DR: Qual o material que você mais usa em suas artes?
Kekê: Eu uso telas, uso tinta acrílica em pasta. Eu chamo minha arte de Word raio X. Porque eu vou no Word e transformo uma foto sua normal em um raio X na tela. Vou rabiscando e jogando cores quentes.

DR: Além de Daniel Alves que outros artistas você já colocou nas suas telas?
Kekê: Já fiz Ivete Sangalo, Thiaguinho, Leonardo, Lulu Santos, Capital Inicial, Zezé di Camargo e Luciano e muitos outros. Acho que já pintei uns 30 artistas.
DR: Você costuma levar as telas em homenagem aos artistas aos shows deles. Como você funciona isso?
Kekê: É sempre um tiro no escuro. Eu entro no camarim do artista, levo o trabalho e ele olha e fala “pô que massa!” e aí eu peço uma ajuda de custo. Têm muitos que nem agradecem, mas têm outros que valorizam. O Dinho, de Capital Inicial, agradeceu durante o show e me chamou para subir ao palco.
DR: Já aconteceu de um artista recusar seu quadro?
Kekê: Já sim, Caetano Veloso. Ele foi o único cara que não quis minha tela.
DR: Desses artistas para os quais você já levou seu quadro, qual foi o reconhecimento mais marcante?
Kekê: O mais marcante foi em 2011, Capital Inicial. Na última hora do show ele disse: “Kekê! Quem é Kekê aí? Sobre aí véi!”. Eu vi seis mil pessoas gritarem meu nome com aquele barulho ensurdecedor e eu saí correndo para o palco. Foi o melhor reconhecimento de minha vida.
DR: Qual o valor médio de uma tela sua?
Kekê: Varia, o mínimo é uns 200 reais. Têm telas que custam até 1.500 reais, dependo do trabalho que deu para fazer.
DR: O que você sente quando está pintando?
Kekê: Quando eu estou pintando em entro em transe. Eu não vejo ninguém, não falo com ninguém. É bem interessante. Quando eu termino um trabalho eu tomo um vinho seco e fico olhando a tela, é legal demais.
DR: Quanto tempo você leva para finalizar uma tela?
Kekê: Geralmente eu levo em torno de duas a três horas.
DR: Você também pinta por encomenda. Quanto custa para encomendar uma tela?
Kekê: Começa em torno de 200 reais, porque por encomenda é mais caro, mas varia dependendo do tamanho e trabalho.
DR: Por que você escolheu um bar para expor as telas sobre Daniel Alves?
Kekê: Eu escolhi esse bar porque em 2001 foi meu primeiro lugar em Juazeiro. Foi minha primeira aparição aqui, quando eu pintei um quadro ao vivo. Eu acho esse espaço bem interessante para qualquer artista expor seu trabalho. É um espaço aberto e um lugar cultural que reúne artistas. A primeira exposição que fiz aqui foi de Caetano Veloso em 2013.
DR: Quais seus próximos projetos?
Kekê: Estou pensando em fazer uma exposição sobre Legião Urbana, daqui para setembro. É o que eu quero pintar agora.






