Por Jacqueline Santos
Colchões jogados em qualquer esquina ou simplesmente um papelão, é o lugar de muitos moradores de Juazeiro. Eles perambulam pelas ruas da cidade dependendo da sorte e de doações de pessoas que se sensibilizam em ver a precariedade em que vivem. Assim são os moradores de rua que vivem em Juazeiro e que não têm qualquer perspectiva de sair de tal situação.
Ailton Bezerra da Silva é de Serra Talhada-PE e mora com sua esposa, Francisca Eliane Laurentino Sá, que é também de Serra Talhada, e já moram há oito anos nas ruas; primeiro em Petrolina e depois em Juazeiro.
Segundo o casal no início do casamento eles possuíam uma casa, mas a justiça tomou os filhos deles e eles venderam a casa. “Nossos filhos estão em Recife com a tia da minha mulher, eles estudam lá. Nós não temos estrutura, por isso não ficamos com nossas crianças na rua”, contou Ailton.
Atualmente o lar que possuem é o prédio abandonado da Franave, na Orla II de Juazeiro. “A gente fica no casarão abandonado. A gente come graças a um pessoal que vai lá e dá almoço para a gente. A gente recebe doação de pessoas da Igreja. Eles aparecem lá e dão para a gente”, afirma Ailton.

Segundo o casal conseguir trabalho é impossível na situação em que vivem. “Morador de rua não tem chance não, a gente sofre muito preconceito. O povo discrimina, chama a gente de ladrão e de drogado. Eu não sou drogada, eu tenho problemas mentais e tomo remédio controlado”, explicou Eliane. De acordo com a moradora de rua os remédios que ela toma são oferecidos por um posto de saúde no bairro Angarí, onde ela é acompanhada por um médico.
“Já quiseram até me estuprar porque sou moradora de rua”, contou outra moradora de rua, Josilene Laranjeira, natural de Afrânio-PE, e que está grávida de três meses. “Eu tenho mais dez filhos e vim para Juazeiro atrás do homem que eu gosto. Eu vivo de pedir nas casas e para tomar banho a gente vai no rio”. De acordo com a moradora de rua, ela nunca recebeu assistência na cidade, onde já vive há nove meses.

No momento em que a equipe do Diário da Região estava no local que serve como moradia para tantos, Eliane aproveitou e fez um apelo: “Eu quero pedir às pessoa que têm o coração de Deus, se puder ajudar a gente, a gente está lá no casarão, na orla. A gente vive de doação, se puder ajudar em roupa, lençol ou alimento, Jesus abençoe”, finalizou.
Uma canal de ajuda que recebem é o Centro POP, um Centro de Referência Especializado para a População em situação de rua, localizado no bairro Country Clube e que atende moradores de rua em Juazeiro . O centro é mantido pela prefeitura municipal e trabalha com atendimento e encaminhamento dos usuários do serviço.
O objetivo do órgão é fazer com que o indivíduo que está em situação de rua volte ao ceio familiar e encontre junto a sua família a dignidade e a estabilidade emocional. Se o morador de rua for de outra cidade, o centro dá assistência ao usuário e disponibiliza passagens para que o mesmo volte à sua cidade de origem.
Para alcançar tal objetivo, o centro realiza um trabalho de abordagem aos moradores de rua em Juazeiro, através de demandas espontâneas ou recebendo indivíduos encaminhados por outros órgãos de assistencialismo.
Atualmente o Centro Pop, que foi fundado em dezembro de 2013, atende em média 55 usuários com serviços multidisciplinares como psicológico, médico e pedagógico, além de alimentação. Ao todo são 14 profissionais que dão suporte ao usuário, porém não é oferecida estadia aos moradores de rua, já que o órgão funciona, apenas, até às 17h.
O município de Juazeiro não dispõe de nenhum serviço de acolhimento aos moradores de rua, ou seja, não possui nenhum lugar onde possam passar a noite. Neste caso, os usuários continuam recorrendo à rua como dormitório. “A gente vai lá de manhã e tem assistente social e tem psicólogo, eles dão almoço e lanche, o problema é que cinco horas fecha e a gente tem que se virar. Muitos que estão aqui bebem e lá não pode beber, aí muitos não querem ir”, ressaltou Ailton.






