Por Mirielle Cajuhy

A educação para autistas gera muitas dúvidas até mesmo em quem trabalha dentro das salas de aula. Em Juazeiro, quem trata da educação especializada é o Núcleo Psicossocial e Inclusão. O órgão é ligado à Secretaria de Educação do município e, além de tratar dos problemas sociais das escolas, atua em áreas que vão desde as dificuldades de aprendizado até os TGD (Transtornos Globais de Desenvolvimento) – nos quais o autismo está incluído.
Creuza Lima, psicopedagoga e gerente do NapsI, informa que, atualmente na rede estão matriculados cerca de 100 autistas. O número de crianças que tem chegado às escolas com esse diagnóstico tem chamado a atenção dos funcionários da educação especializada. Lima acredita que a procura pelo serviço decorre do crescimento da informação dos familiares sobre a doença e o tratamento.
Na creche André Luiz, localizada no bairro Alagadiço, atualmente estão matriculados dois alunos autistas. A professora integral do maternal, Zidiane dos Santos Santana, não tem formação específica para ensinar autistas e é responsável pela turma de três anos de idade. Ela declara que no início teve dificuldades para lidar com João Pedro (nome fictício): “Ele chorava muito e não brincava”. Porém, no decorrer do ano, tentou alguns recursos pedagógicos, como a música, na tentativa de promover uma interação maior dele com a turma. Ela afirma que tem visto alguns resultados positivos e que hoje ele “está outra pessoa”. A professora também diz que, diariamente, João Pedro lhe traz novos aprendizados pelo fato do seu comportamento ser sempre uma “surpresa”. Além disso, declara que o desenvolvimento dele foi inesperado, já que os profissionais da creche nunca haviam lidado com autistas.
A outra aluna tem 5 anos e estuda na turma de Marinalva Maria dos Santos Casé, professora e pedagoga. Ela afirma que quando Débora (nome fictício) chegou na creche, no início de 2014, os professores ficaram apreensivos, pois os pais haviam dito que ela não gostava de barulho. No entanto, Marinalva diz que a aluna não apresentou problemas em relação a isso e participa das aulas, interage com os colegas, já escreve o próprio nome, e às vezes demonstra afeto pelos amigos. O único problema, segundo a professora, são as crises de choro perto do horário de ir para casa. Quanto a essa situação, a escola já entrou em contato com a mãe e esta afirmou que tomará providências junto ao psicólogo que acompanha Débora.
De acordo com Mônica Dantas da Paixão, pedagoga especializada em Acompanhamento Educacional Especializado, a interação da escola com os familiares é muito importante, pois nem sempre eles entendem o que se passa com essas crianças. Os comportamentos extremos são comuns, mas é necessário que haja um esclarecimento da família para que ela seja compreendida dentro de suas dificuldades. Mônica constata também que um dos principais entraves para se fazer um acompanhamento multiprofissional adequado é a falta de tempo de alguns pais e negligência de outros.
No entanto, negligência não é o caso da família de Felipe (nome fictício), 5 anos, e matriculado na Escola Municipal de Educação Infantil Maria Suely do bairro Tabuleiro. A mãe dele, Ivanízia dos Santos Silva, parou de trabalhar e atualmente recebe Benefício de Prestação Continuada. Através da comprovação da necessidade desse auxílio e do laudo da deficiência, o INSS fornece a aposentadoria. O pai de Felipe continua trabalhando, mas Ivanízia usa essa renda para cuidar da saúde do filho e diz que atualmente ele está sendo acompanhado por fonoaudiólogo e terapeuta. Ela percebeu comportamentos diferenciados nele ainda bebê, como apatia e aversão ao banho de banheira. Ao levá-lo em torno dos 3 anos à neuropediatra, recebeu o diagnóstico, e como a maioria dos pais, ficou em choque. Passado o desespero inicial, decidiu lutar pela educação e pelos direitos do filho e hoje é otimista em relação ao seu futuro: “A resposta que eu tenho ouvido dos terapeutas é que ele é um caso que está avançando muito. Então, tenho esperança”.
As famílias da cidade de Juazeiro que tenham filhos autistas ou com qualquer outra deficiência, podem procurar o Napsi para uma melhor orientação a respeito do acompanhamento educacional especializado. Além disso, há também uma parceria com a Secretaria de Saúde se a pessoa especial necessitar de atendimento na área clínica. Os fonoaudiólogos e neuropediatras, geralmente, são os mais solicitados, mas qualquer profissional médico pode ser requisitado caso seja preciso. De acordo com a necessidade de cada um, os profissionais do Napsi avaliam os casos e encaminham as famílias para o atendimento adequado.






