Por Mirielle Cajuhy
Contar e cantar os males da vida é o que a banda Mal de Dois consegue fazer com leveza e crítica. Passeando pelo rock e pela MPB, a dupla assina todas as suas composições e hoje já integra o cenário da música independente no Vale do São Francisco. Para Aumentar o Som com a gente, entrevistamos o baixista e compositor Cléber Jesus e o vocalista e guitarrista Ricardo Gomes.
Diário da Região: Quando e como surgiu a Mal de Dois?
Cléber Jesus: A ideia da Mal de Dois começou a ser construída em novembro de 2012, quando eu e Ricardo sentamos pela primeira vez pra discutir a ideia de fazer um trabalho conjunto. Começamos a compor imediatamente e um mês depois começamos a gravar.
D.R.: Quantos CD’s a banda já tem? Há algum outro trabalho além das músicas?
Ricardo Gomes: A banda tem dois CD’s gravados: Bipolar Lado A e Bipolar Lado B. E temos um clipe da canção “Nunca Mais”, que fala sobre violência doméstica.
D.R.: A respeito das composições, quais as principais mensagens que a banda tenta passar?
Cléber Jesus: Parece que na música moderna a plateia virou uma espécie de terapia e o palco um divã. Hoje em dia os artistas tratam de suas dores e dificuldades cantando. A Mal de Dois não foge à regra, nós cantamos nossas vivências e a nossa visão sobre algumas situações vividas por pessoas próximas. Falamos da vida e das implicações de se viver bem ou mal.
D.R.: Por que “Mal de dois”?
Cléber Jesus: Duas personalidades diferentes falando sobre a mesma coisa, na maior parte das vezes, os grandes males da humanidade.
D.R.: Quais são as principais influências da Mal de Dois?
Cléber Jesus: Nós temos influências diversas. De Beatles a Los Hermanos, nós viajamos entre vários estilos de rock e da MPB. Uma grande mistura de influências não proposital e que não obedece a regra, apenas critérios de qualidade.
D.R.: Atualmente o rock vem ganhando cada vez mais vertentes. Além do próprio rock/rock alternativo, existe mais algum gênero em que a Mal de Dois se encaixa?
Cléber Jesus: Sinceramente ainda não descobrimos que tipo de música fazemos. Nossa maior preocupação é fazer o melhor em cada música, deixamos as pessoas definirem, mesmo porque não sentimos ainda necessidade de nos enxergar através de um rótulo. Mas a que eu acho que mais chegou perto foi a de banda de MPB/rock.
D.R.: Em relação ao cenário alternativo do Vale, como a banda foi recebida pelo público?
Ricardo Gomes: A gente, pra minha surpresa, foi bem recebido. Muitas pessoas elogiaram bastante nosso trabalho. Ficamos muito felizes, motivados e desejosos de buscar nos aprimorar cada vez mais como compositores. Não sei se estamos conseguindo (risos), mas tentamos sempre melhorar.
DR.: E pelo meio artístico e de comunicação?
Cléber Jesus: A nossa região é cruel e além de manter a fama justificada de renegar seus artistas em fase embrionária, não garante lugar para todas as linguagens musicais. Por esse motivo fazemos poucos shows. As TVs e algumas rádios da região nos deram algumas oportunidades de divulgação, a resposta foi inusitada. As pessoas nos encontram na rua e falam que nos viram, que acharam legal o trabalho, mas o número de downloads continua igual, ou seja, as pessoas até apreciam a entrevista e as músicas tocadas na oportunidade, mas não se dão o trabalho de ouvir na íntegra.
DR.: Como acontece a divulgação do trabalho de vocês?
Cléber Jesus: A nova cultura musical dá a oportunidade de todos mostrarem seu trabalho. Hoje você não depende mais de uma gravadora para que seu trabalho seja conhecido. A Mal de Dois é uma banda independente, assumir isso significa dizer que dependemos de todo mundo. Nosso trabalho está no Youtube, produzimos um clipe e colocamos várias outras músicas. Além disso, temos uma página no Facebook onde interagimos sempre com nossos amigos. Temos um site também onde disponibilizamos os dois CD’s da banda para download gratuito.
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Twitter: @Malde2Banda






