“Para se fazer arte com lápis, basta somente conseguir um papel!”
Por Jacqueline Santos
Ele é um juazeirense de 26 anos e expressa a sua arte atrás de rabiscos delicadamente elaborados e que se transformam em imagens hiperrealistas. Com um trabalho minucioso e impressionante, IehoshuaIahueh faz com que nossos olhos confundam desenhos com fotografias.
O Diário da Região traz na Coluna Artistas do Vale desta edição um jovem artista que desenha paisagem e pessoas que emocionam. Através de entrevista, Iehoshua falou um pouco da sua arte.
Diário da Região: Quando começou os seus primeiros trabalhos?
IehoshuaIahueh: Foi em 2006 que comecei a fazer meus primeiros desenhos hiperrealistas. Na época eu retratava modelos de capa de revista e alguns familiares também. Até então eu dispunha de pouco conhecimento sobre a técnica.
DR: Já começou com desenhos a lápis?
Iahueh: Sim. Desde criança o lápis sempre foi a ferramenta mais íntima. Gostava de assistir desenhos animados (“animes” principalmente) e em seguida conseguir uma folha e lápis qualquer, só pra poder desenhar os personagens. Assim como os personagens dos quadrinhos da coleção de “TEX” que meu avô possuía. No meu trabalho com hiperrealismo posso dizer que desde o início priorizei o lápis pela simplicidade e praticidade (sou tiete da simplicidade), pois para se fazer arte com lápis, basta somente conseguir um papel!
DR: Os seus desenhos são a sua fonte de renda atualmente?
Iahueh: Sim. No início foi mais complicado conseguir reconhecimento, popularidade e assim tornar meu trabalho rentável financeiramente. Com o tempo decidi, além de fazer as encomendas, dar aulas. A união dessas contribui para que eu consiga, digamos assim, viver da arte.
DR: Quanto tempo leva para fazer um desenho, digo, o mais comum?
Iahueh: Bom, não há como discriminar em horas, mas uma média em dias, que seria de 7 a 9.
DR: Quanto custa um desenho?
Iahueh: O preço base é referente ao tamanho do retrato: A4 – 100 reais/ A3 – 150 reais / A2 – 180 reais. O preço final é discriminado após analisar o nível de dificuldade referente aos detalhes contidos na imagem referencial.
DR: Tem ideia de quantos desenhos você já fez?
Iahueh: Cerca de 65.
DR: O que mais gosta de desenhar?
Iahueh: Gosto muito de desenhar pessoas que de alguma maneira foram importantes na história mundial, pessoas que lutaram por uma consciência social mais humanitária, principalmente contra as diversas formas de opressão,como exemplo os desenhos do Martin Luther King Jr. Malcolm X, Bob Marley, Che Guevara, Lenin e entre outros.
DR: De uma maneira simples, explique como é o processo até chegar a arte final.
Iahueh: Mas de fato é um processo simples! É preciso escolher uma folha (de preferência com superfície levemente texturizada e gramatura acima de 150g), escolher um lápis com graduações convenientes, fixar bem a folha numa superfície lisa (prancheta). O primeiro contato entre folha e lápis será para esboçar e delimitar as dimensões da imagem, em seguida é dado início o que chamamos de preenchimento ou começar a “manchar”, que seria produzir as sombras, luzes e texturas que compõem toda a imagem. Pra finalizar se utiliza um spray verniz que não permite que o grafite contido na superfície da folha se espalhe.
DR: Você também dá aulas, o que é mais prazeroso para você? Pintar ou passar o seu conhecimento a outras pessoas?
Iahueh: Adoro as duas coisas! Lembro de quando passou pela primeira vez na minha cabeça a ideia de poder passar meu conhecimento para outros. Eu estava finalizando um desenho, do qual não me recordo agora, e ao fazer os últimos detalhes pensei: “Qualquer pessoa consegue fazer, não sou exclusividade”. O que daria forças a essa minha ideia foi ler o livro ‘Desenhando com o lado direito do cérebro’, onde a autora Dra. Betty Edwards explica que não existe o tal “dom divino” e desenhar é uma questão de apenas aprender a ver as coisas, mas ver corretamente, ver como os artistas veem.
DR: Como são suas aulas? Horário, local, valor. Como os interessados podem se inscrever?
Iahueh: As aulas são destinadas a quem tem interesse em conhecer ou aprimorar a técnica hiperrealista a lápis. Elas acontecem aos sábados e domingos, na Casa do Artesão, com horário a definir com o aluno. A carga horária é de quatro horas por semana. As inscrições podem ser feitas de terça a domingo na Casa do Artesão de Juazeiro, entre 10h30 e 21 horas. A mensalidade do curso é R$110,00 com material incluso!
DR: Porque optou por esse tipo de arte, se é que foi uma opção? Porque desenhos hiperrealistas?
Iahueh: Porque foi uma técnica que me chamou atenção pelo nível de detalhes e porque o desenho de observação já era o que eu sempre fiz.
DR: Você é estudante de jornalismo, porque não um curso na sua área de desenhista?
Iahueh: Na verdade quando eu fiz o vestibular para jornalismo, também tentei me inscrever para o curso de artes visuais, mas acabei perdendo o prazo da inscrição do exame e por isso acabei no jornalismo. Pretendo ingressar no curso de artes no próximo ano, mas no jornalismo também pude descobrir outras vertentes do desenho, seja em ilustrações para televisão ou até mesmo em charges.
DR: Planeja realizar alguma exposição com seus desenhos? Já fez alguma?
Iahueh: Já realizei quatro exposições, duas delas com desenhos meus e dos alunos que concluíram o curso Tons de Artes, uma com a artista Alda Moreira e outra no Ecovale. Nunca realizei uma exposição individual e estou organizando-a para o início do próximo ano.






