Em um encontro realizado nesta segunda-feira, 21, pela Rede de Atenção a Mulheres em Situação de Violência, os candidatos ao governo da Bahia até tentaram, porém não foram explícitos ao falar sobre as expectativas do segmento para o próximo governador. Assim como na discussão sobre segurança pública na última semana, o candidato do PT, Rui Costa, não participou do debate.
“Avançamos muito nos últimos anos com relação as conquistas dos movimentos das mulheres, mas ainda há muito o que avançar”, ponderou Lídice da Mata (PSB), que reforçou a figura da mulher atuante no cenário político.
Ao lado da candidata Renata Mallet (PSTU) e da representante do candidato Marcos Mendes (PSOL), Zilmar Alverita, Lídice mostrou-se confortável ao falar da temática. As representantes de PSOL e PSTU, no entanto, dedicaram boa parte das falas a críticas ao governo de Jaques Wagner e também do ex-governador Paulo Souto (DEM), presente como candidato no encontro.
Com um formato pouco combativo, a discussão abriu espaço para a apresentação das propostas e plataformas de candidatura. Diretamente, todavia, nenhum dos candidatos tratou do tema de acordo com as expectativas da rede de atenção. “Os dados estão disponíveis e falam por si”, afirmou Souto, mesma perspectiva adotada pelos adversários.
Renata Mallet, inclusive, ampliou o recorde apresentado pelos organizadores do evento e destacou as características mais comuns nas mulheres vítimas da violência: “negras e moradoras da periferia”, segundo ela.
“Temos que tirar do papel e efetivar as políticas públicas que precisamos”, frisou Lídice, destacando o texto constitucional referente à mulher. Segundo a socialista, as conquistas devem-se a luta dos movimentos feministas, porém alguns pontos precisam ser revistos. “Tem que reaver as casas-abrigos que existem no Brasil. Elas funcionam hoje como uma prisão. É preciso de um sistema em rede”, defendeu Lídice, falando ainda sobre a necessidade de monitoramento da sociedade na execução das políticas públicas.
Após provocações de adversários – especialmente do PSTU e do PSOL -, Souto citou feitos da gestão em que esteve como governador e prometeu itens como a criação de novas delegacias especializadas e a ampliação dos centros de referência e apoio à mulher.
Estratégia
Assim como no debate sobre segurança pública, o candidato Rui Costa (PT) não participou do encontro da Rede de Atenção a Mulheres em Situação de Violência.
Para Lídice, a ausência é incoerente com a história do PT, citando a presença de militantes da sigla no encontro. “É muito ruim que um candidato do PT não participe desse debate. Vai contra a história. Isso é estratégia de marketing que vai contra as posturas ideológicas”, criticou a socialista.
Outro a atacar a não participação do petista foi Rogério Da Luz. “Ele não foi no debate da semana passada também. Ou seja, na questão da violência, ele (Rui Costa) não tem nenhuma proposta”, provocou.
Procurada, a assessoria do candidato informou que não houve convite formal para participar do encontro, além de coincidir com uma entrevista agendada por sorteio a uma rádio local. “O candidato reconhece a importância do tema e destaque que a Secretaria de Políticas para as Mulheres foi criada no governo Jaques Wagner, exemplo do compromisso do grupo com a temática”, afirmou a assessoria de Rui.
Veja vídeo com trechos das falas dos candidatos:
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A Tarde






