Por Caio Alves
Fotos: Mirielle Cajuhy/Lizandra Martins/ Arquivo Pessoal
Produtor cultural, fotógrafo, agitador cultural, cineasta, botador de disco, essas são as atividades que Francisco Egídio de Moura, ou melhor Chico Egídio, desempenha. Mas ele prefere ser visto como um produtor cultural, que é aquele que possibilita que outros artistas possam estar mostrando o seu trabalho.
Chico é natural de Juazeiro, morou muito tempo em Recife, e há dois anos está morando em Petrolina. Ele abriu a ‘janela’ de seu espaço cultura, para o Diário da Região, para um bate papo sobre os seus projetos e falar um pouco de como cada um deles surgiram.
Diário: Como surgiu a Associação Raízes?
Chico Egídio: A associação foi criada no início do Festival Raiz & Remix, foi uma forma para facilitar a realização do festival, que ano que vêm completa 10 anos e a associação já têm quase nove anos.
D.R.: E como surgiu o Festival Raiz & Remix?

Chico: O Raiz já têm oito anos que acontece, e esse ano é para acontecer a nona edição do festival, mas já sabemos que não vamos realizar no formato original do Raiz. O Raiz como Raiz, esse ano não vai existir. Estamos planejando uma coisa menor, alguma ação que represente o festival, já que todos os anos aconteceu.
Ano passado o Raiz & Remix aconteceu pela primeira vez em Juazeiro. Fizemos uma semana lá e uma semana aqui em Petrolina.
O Raiz surgiu, através de um projeto em que estava envolvido. Primeiro o SESC me convidou para gravar o primeiro CD do Samba de Véio da Ilha do Massangano, que até o próprio Ariano Suassuna tinha pedido para que SESC fizesse, e eles me convidaram por ter essas aproximação com o pessoal da ilha. E no estúdio, vimos muita coisa que poderia dá um outro projeto, principalmente com Dona Amélia, que é a cantora principal, que inclusive hoje é homenageada por ter o seu nome no Teatro do SESC. O humor, a liderança, de uma pessoa que tinha um destaque no samba.
Fiz um projeto para o Ministério da Cultura, para gravar um CD com Dona Amélia, dela que basicamente, por ter essa memória musical do samba, por ser a mais antiga e aproveitamos para chamar algumas banda para fazer remix do samba de velho. E ai teve Carrancudos, Jocelio e Sandrão, Matingueiros, Dj Yuri Panzarini, e outras bandas. E quando eles fizeram um disco com todos eles fazendo remix e Dona Amélia cantando, pensamos em fazer um lançamento, mas e ai como a gente lança? E ai veio a ideia de fazer um show. Pra ampliar mais, trouxemos o Coco Raízes de Arcoverde e trouxemos algumas bandas. Então o Raiz surgiu como embrião desse projeto do disco. Inclusive o disco não chegou a tempo, pois ele foi feito em São Paulo, e o primeiro Raiz foi feito para comemorar esse lançamento do disco, mas ele só foi chegar um mês depois.

Então, como o disco tinha isso de remixado, e essa mistura da cultura popular com a música mais contemporânea, então têm tudo a haver com essa ideia que continuou, que hoje é o festival.
D.R.: O que o festival propõem?
Chico: Primeiro é dá destaque à produção local, que antes tinha pouca coisa aqui na região, mas hoje estamos vendo muito mais coisa surgindo. Quando fizemos o Raiz, já existia uma cena de música alternativa muito grande na região, mas só que ela não tinha um destaque merecido. A pessoa nunca tocava com uma estrutura boa de som e de palco. E no primeiro Raiz, colocamos um palco grande e realizamos o festival na área do Parque Josepha Coelho, onde ficamos por seis anos por lá, e depois trouxemos para a concha.
O Festival acontece durante dois ou três dias, normalmente começa em uma sexta-feira e termina no sábado. E leva para o público uma diversidade de cultura e estilos, onde Rock, Coco, Pífano, Marujada, Reisado se misturam em um mesmo ambiente. E a ideia é essa, fazer uma junção da galera mais velha com a mais nova, e fazer experimentos, para ver o que sai deles.

D.R.: O Festival pode voltar para o Parque?
Chico: No parque é tudo superdimensionado, é o lugar ideal que eu vejo para o Raiz, mas como fazíamos antes, não tem como mais fazer. O parque tem o seu lado positivo e negativo ao mesmo tempo, primeiro porque ele é muito amplo então a questão de segurança ela termina ficando muito delicada. Qualquer evento hoje que faça no Brasil, você tem que saber quem entra e quem sai. E como vou fechar aquele parque, para manter a segurança dos frequentadores do festival? Se voltarmos um dia para o Parque, vai ser uma super, mega estrutura que não sabemos como vamos conseguir.
D.R.: Quem são os apoiadores do Festival?
Chico: Sebrae, pelo o apoio ao artesanato, que é umas das missões da instituição. O SESC, que têm esse apoio a cultura e sempre fomos parceiro do SESC, e as gestões públicas. E temos outros apoios que ajudam na parte da divulgação.
D.R.: Como surgiu essa ideia de fazer um festival de curtas-metragens aqui na região?
Chico: Eu participei da produção local de um filme que teve algumas cenas gravadas por aqui na região, chamado ‘Deserto Feliz’, esse filme foi gravado em Juazeiro, Petrolina, Recife e na Alemanha. Então fui convidado pela produtora executiva do filme, Stella Zimmerman, para fazer a produção local do filme aqui em Petrolina, e ela sempre falava comigo para fazer um festival aqui, e eu achava uma coisa bem distante, pois já fazíamos o Raiz e mais uma coisa grade, e não saberíamos se iria dá certo.
Mas como fazíamos curta-metragem, eu pensei que um festival até faria, mas só se fosse curta. Porque a UNEB, já fazia mostras de curta e produzia curtas a muito tempo dentro da própria disciplina do curso de Jornalismo, inclusive ganhei em primeiro lugar com o filme ‘O nome das caras Caretas’, em um festival que aconteceu por lá. Então era uma mostra competitiva, que aparentemente estava dentro da universidade, e até que ela foi abrindo, tanto que tive o prazer de colocar o meu filme lá. Achava o formato bem legal, mas precisava ser ampliado.
Então pensei em fazer um festival a nível nacional, e bem maior para contribuir com a cidade, com a produção local e de outras regiões. E na primeira edição tivemos filmes que concorreram em Cannes, sem termos muito nome ainda, tendo como vencedor uma animação do ex-aluno da Uneb, Moes.
D.R.: Além de realizar premiações, qual o outro objetivo do Vele Curtas?
Chico: Os filmes de fora quem chegavam para o festival, acaba fazendo um diálogo com a produção local, que era justamente o que queríamos. Que as pessoas pudessem ver outras formas de produzir e outras realidades colocada. Temos uma tradição quase única de realizar documentário, até porque no próprio curso da UNEB, tinha esse foco. E de certa forma, o Vale Curta vêm contribuindo para que esteja fazendo mais ficção aqui na região.
O evento acontece simultaneamente entre as duas cidades (Juazeiro e Petrolina), desde a sua primeira edição. E esse ano a repercussão do Vale Curtas, foi imensa. O Brasil ficou sabendo do evento, e o público de fora que veio ver o festival e também mostrar as suas produções, disseram que se sentiram muito acolhidos aqui na região.
D.R.: O Festival Vale Curtas, acontece durante quantos dias?
Chico: São nove dias de festival. É um festival bastante longo, e o povo de fora reclama, mas os daqui adora (risos). Pensamos em um festival de um jeito, que não tem como reduzir o tamanho. E nenhum festival têm esse tempo de duração. São quatro dias de exibição de filmes nacionais, dois dias para filmes locais, um dia para as premiações, e ainda temos os cursos e as oficinas que acontece durante o evento.
O motivo para ele ser tão longo, é porque recebemos muitos filmes. São quase duzentos filmes por ano que recebemos, e fazemos uma seleção para escolher os melhores. Esse ano exibimos 40 filmes, e não tem como reduzir mais esse número.
D.R.: E a ideia do cineclube Raíz, como surgiu?
Chico: O cineclube como iniciativa já existe a muito tempo, com vários formatos diferentes. Tinha um professor na UPE, que realizava um cineclube com debate, e ele chamava eu e Solange, pois tínhamos uma locadora de vídeo lá em Juazeiro, e ele pegava os filmes, exibia e debatia com os alunos.
E depois disso um amigo da gente, nos convidou para participar de um circuito de cinema, que era em Juazeiro e no shopping de Petrolina. Então recuperamos um projetor que tinha, que hoje é uma peça de museu, compramos um equipamento para ele funcionar, e durante muito tempo ele funcionou.
E hoje o cineclube está aqui no espaço Cultural Janela 353, em cima do Café du Bule, ao lado do colégio Auxiliadora. Projetamos esse espaço, pensando em abrigar o cineclube, com todas as adaptações possíveis para ser uma pequena sala de cinema.
D.R.: Como acontece a seleção dos filmes?
Chico: Fazemos por temáticas, ou realizamos uma votação na nossa página para o público votar nos filmes que queiram assistir.
D.R.: As exibições são de graça?
Chico: Sim. A nossa sala tem uma lotação, então as primeiras pessoas que chegarem, assiste. Meia hora antes distribuímos os convites. As sessões são gratuitas acontecem sempre aos sábados às 18 horas, e logo após cada filme iniciamos um debate sobre as impressões que tivemos em ralação ao filmes assistido.
Confira mais informações sobre os projetos:
Cine Raiz: cineraiz.wordpress.com
Vale Curtas: valecurtas.wordpress.com
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