
As baronesas, plantas aquáticas que se proliferam com o aumento da poluição, estão cada vez mais avançando pelo Rio São Francisco. Uma visão aérea possibilita visualizar a dimensão que as plantas que surgem nas margens do Rio e vão se aproximam da Ilha do Fogo, que divide os estado de Pernambuco e Bahia. A situação que prejudica não apenas o meio ambiente, mas quem precisa trafegar pelas águas diariamente.
Marinheiro há mais de 15 anos, Josemar Gomes Batista, afirma que ainda não tinha passado por dificuldades durante todos os anos que trafegou. “Eu nunca tinha visto uma situação assim e este ano está bem pior. Está péssimo trafegar pelo rio”, disse. Os barqueiros que fazem a travessia diariamente entre os estados tiveram que mudar o local para atracar as barcas, porém isso também dificulta o trabalho do trânsito aquático.
Erivaldo Lima dos Santos é barqueiro há 20 anos e conta que as plantas são retiradas eventualmente, porém não pelas autoridades responsáveis, mas pelos próprios participantes da associação dos barqueiros. “Não aparece ninguém para retirar as plantas da beira do rio a não ser a gente mesmo. Quando enche a gente mesmo que faz o trabalho de remoção”, explicou.
Um comerciante que trabalha nas proximidades do ponto de ancoragem das barcas explica que as plantas se alojaram no espaço e muitos turistas que olham a paisagem questionam a proliferação das plantas na água. “As pessoas veem isso e acham feio principalmente porque sabem da relação com a poluição”, lamenta.
Estudadas desde 1999, as baronesas apareciam sazonalmente às margens do Rio São Francisco, segundo a bióloga e pesquisadora Mary Ann Saraiva. A bióloga explica que atualmente as plantas aquáticas estão cerca de 10 mil vezes mais do que há 15 anos. “Estas plantas precisam ser retiradas para que haja um controle da população”, reforça.

As plantas se alimentam de matérias orgânicas provenientes de despejos de esgoto diretamente no Rio São Francisco ou em restos de adubos da agricultura que acaba chegando à água. E outro fator que contribui para a proliferação deste tipo de planta, segundo Maru Ann, é o volume da água. “O rio está raso e este tipo de planta fica mais da parte onde a água não tem muita profundidade”, disse. Atualmente, nas margens do rio do lado de Petrolina existem em média 10 espécies que formam colônia, segundo a pesquisadora.
O diretor-presidente da Agência Municipal de Meio Ambiente (AMMA), Gleidson Castro, informou aoG1 que a retirada das plantas não é uma medida adotada pelo município, pois não soluciona o caso visto que, em tentativas anteriores, as plantas quando retiradas, parte delas alojavam-se em trechos mais adiante fazendo com que a planta proliferasse em outras áreas.
Gleidson informou ainda que a providência imediata é a notificação da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) para que esta não faça despejos de esgotos, o que seria a principal causadora do aumento populacional das baronesas. “A Compesa, que é a causa, foi multada no mês de maio em R$ 1 milhão, mas recorreu. A Junta de Impugnação Fiscal negou as justificativas da companhia e ela tem 20 dias para recorrer a partir de 24 de julho”, explicou.
Em entrevista ao G1, o gerente regional da Compesa, Igor Galindo, informou que a causa da multa da AMMA é um rompimento de uma tubulação antiga que faz com que o esgoto caia diretamente no Rio São Francisco. Porém a previsão é de que neste mês de agosto, o esgoto que passa por esta tubulação será encaminhado para a nova estação de tratamento. Em relação à multa, Igor Galindo disse que a companhia irá recorrer, pois entende que não há fundamentação legal que justifique a punição.
G1 Petrolina






