Por Caio Alves
A cidade de Juazeiro tem 135 anos de emancipação, e suas histórias estão contadas em livros, em exposições no museu, em uma conversa com os habitantes mais velhos da cidade e através de seus prédios antigos. Mas alguns dos prédios históricos estão abandonados e prestes a desaparecer de vez do cartão postal da cidade.
Há vinte anos morando no bairro Piranga, o comerciante Amado Francelino Gomes lamenta ver o abandono das duas estações. Ele conta que ainda viu as estações funcionando, com os seus movimentos de passageiros e de mercadorias. “Lembro da chegada dos passageiros, das cargas que vinham nos trens como cimento, milho, animais, e hoje só temos de lembrança a linha do trem,” conta.
O comerciante ainda contou que conhece algumas estações de Pernambuco, que foram revitalizadas para servirem de ponto turístico das cidades, e compara com a estação de Juazeiro. “Ando por essas estradas daqui do Nordeste e, em Pernambuco, todas as estações de trem são impecáveis, Garanhuns, Caruaru, Petrolina; todas elas funcionam como ponto turístico e de lazer, já a de Juazeiro é um local abandonado e perigoso para a população”, disse.
Outra pessoa que não está satisfeita com o abandono em que se encontram as estações e o conjunto de prédios da orla dois é a professora Clara Andrade. Moradora do bairro João XXIII, a professora lamenta o estado de deterioração de alguns prédios da cidade. “São locais históricos e de grande valor para a nossa cidade e infelizmente estamos perdendo eles, e automaticamente a nossa história”, disse a professora.
Para Amado Francelino ver os prédios antigos da estação de Juazeiro revitalizados e servindo de ponto turístico, seria a melhor coisa para a cidade e para a população. “O que precisamos é de uma reforma nesses dois prédios da estação, para dá uma melhoria na cidade. Poderia ser feito uma casa de cultura, e até serviria de uma área de lazer à noite, pois aqui não temos para onde ir, e seria um grande investimento para a cidade”, conclui.
Já para Clara Andrade a orla dois é um local privilegiado para movimentar o turismo da cidade. “Poderia ser um restaurante onde serviria as comidas típicas da região, ou um centro cultural, de artesanato”. E conclui: “E quem for o dono que tome conta, e que faça algo em benefício da comunidade”, frisa.
Segundo informações da Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Juazeiro, a responsabilidade pelos prédios antigos da cidade não é de competência do município, e sim da União. “A prefeitura elaborou um projeto em parceria com os alunos da Univasf para destinar uma parte do prédio da orla nova para formar um local onde daríamos aulas de música para a comunidade, mas infelizmente o projeto não saiu por se tratar de uma área da União”, explicou.
E, enquanto isso, a história de Juazeiro está abandonada.




