Candidato derrotado por Dilma Rousseff nas eleições de 2014, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) foi hostilizado por parte dos manifestantes nos atos de domingo 13 em São Paulo durante a visita que fez à Avenida Paulista ao lado do governador do estado, Geraldo Alckmin.
A reação indica que uma parcela de quem foi às ruas protesta contra o governo petista, mas ao mesmo tempo direciona sua hostilidade à classe política como um todo.
Uma foto divulgada pelo próprio Aécio Neves no caminho para o ato em São Paulo é simbólica dos motivos que levam muitos a fazer tábula rasa com a classe política. O senador tucano, ele próprio citado por cinco pessoas diferentes na Operação Lava Jato, e Alckmin, cujo chefe da Casa Civil é investigado por enriquecimento ilícito e a gestão é afetada pelas denúncias do “merendão”, estavam acompanhados de uma turma que não tem muitas prerrogativas para dar lição de moral.
Dois dos acompanhantes de Aécio e Alckmin na imagem são réus no Supremo Tribunal Federal. Um deles é Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (SD-SP), deputado investigado por desviar dinheiro público do BNDES. Seu partido, o Solidariedade, bancou a ida de muitos manifestantes ao ato na Avenida Paulista e teve um carro de som no local.
Outro réu no STF que acompanhou Aécio foi o deputado Nilson Leitão (PSDB-MT), investigado por superfaturamento na construção da BR-163 quando foi prefeito de Sinop (MT). Além desse processo, Leitão, que integra a bancada ruralista, é investigado no Supremo por corrupção passiva, incitação ao crime e formação de quadrilha.
No domingo, Leitão discursou no carro de som do Movimento Brasil Livre: “O político hoje não representa vocês, vocês que representam todos nós. Não interessa o poder econômico, não interessa a escolaridade, o que interessa é que somos verde, amarelo, azul e branco. E que não somos vermelho!”, disse.
Acompanhavam Aécio também os deputados federais Vitor Lippi (PSDB-SP), cuja gestão como prefeito de Sorocaba foi multada diversas vezes pelo Tribunal de Contas do Estado por irregularidades em licitações; Antonio Imbassahy (PSDB-BA), ex-prefeito de Salvador, que tem um ex-secretário investigado na Justiça Federal da Bahia por improbidade administrativa na construção do metrô da capital baiana, feita por diversas construtoras investigadas na Lava Jato; e Rubens Bueno (PPS-PR), denunciado em dezembro pelo Ministério Público do Paraná por improbidade administrativa.
De acordo com o Datafolha, 21% dos manifestantes presentes na Avenida Paulista têm o PSDB como partido preferido (uma queda em relação aos 37% verificados em março de 2015), mas 68% dos manifestantes não têm preferência por partido nenhum. O PT é o alvo primordial dos manifestantes, mas a situação não está fácil para ninguém.
Carta Capital




