Após liberar mais água na rede em SP, Sabesp tem aumento de vazamentos

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) registrou aumento nos vazamentos nas tubulações depois que a empresa ampliou a pressão na rede de distribuição na Grande São Paulo. No fim do ano passado, com a recuperação dos reservatórios, a companhia diminuiu de 15 horas para sete horas, em média, o período diário de redução de pressão, e foi liberado mais água na rede.

A perda por vazamento, segundo o presidente da companhia, Jerson Kelman, “é um preço a pagar” para melhorar as condições de abastecimento para população.  “Nós vamos encolher o período de redução de pressão e isso significa, inescapavelmente, aumentar as perdas. Tem que passar por esse processo e nossas equipes estão trabalhando freneticamente para resolver esses problemas”, afirmou em entrevista ao G1.

A redução foi responsável por mais da metade de economia de água retirada do Sistema Cantareira durante a crise. Segundo Kelman, durante dois anos, as tubulações receberam menos pressão. Agora, com as válvulas reabertas por um período mais longo, as ocorrências de vazamentos aumentaram. “Aumenta a pressão e começa a ‘pipocar’ [os problemas] porque você começa a submeter as tubulações a pressões que não existiam antes e que, por isso, não arrebentavam. Mas, agora, elas passam a arrebentar”, disse o presidente da companhia.

A Sabesp não citou números nem exemplos de locais onde houve vazamento por causa da pressão maior na rede, mas o G1 relatou diversas ocorrência na região nos últimos dias, como uma adutora se rompeu na região de Santana, na Zona Norte de São Paulo, na manhã de quarta-feira, e outra na Vila Brasilina, na Zona Sul da capital, na segunda-feira (7), quando a água e a lama atingiram sete casas(assista ao vídeo abaixo).

Durante o período mais extenso de redução de pressão, as perdas físicas chegaram a 17%. Antes da crise hídrica, o índice ficava acima de 20%, segundo a Sabesp. Kelman afirmou que para trocar toda a tubulação, considerada bastante antiga, é preciso fazer investimentos, que viriam de uma tarifa de água mais alta. A taxa mais cara, defendeu o presidente da companhia, precisa ser debatido pela sociedade.

“Embora o estado de São Paulo seja líder de saneamento,  não somos comparados a Londres e Nova York, mas há muito o que ser feito. Nós temos problemas técnicos e sociais. Para resolver isso, nós precisamos de dinheiro do consumidor. Não há mágica”, defendeu Jerson Kelman.

Reação ao fim da crise
Desde que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), anunciou que a crise hídrica estava resolvida, moradores de diferentes regiões da capital relataram falta d’água em casa (assista nos vídeos abaixo). Já a Sabesp defende que a torneira seca não é resultado da redução de pressão na rede, e cita outros motivos, como falta de caixa d’água nas residências, manutenção na rede ou queda de energia em uma estação elevatória, por exemplo.

O presidente da Sabesp, no entanto, afirmou que a crise hídrica fez com que o controle de pressão durante a madrugada fosse “espalhado” pela cidade.

“Há vários bairros da região metropolitana que, anteriormente à crise, não tinham válvula redutora de pressão e agora têm. Isso quer dizer que, se uma pessoa que vive em um ponto alto de uma região que antes da crise não tinha gestão de pressão porque não tinha válvula, agora tem”, disse Kelman.

A Sabesp defende que as válvulas são parcialmente fechadas entre 23h e 5h porque é um período de consumo menor. Uma pressão sem ajuste, nesse caso, poderia causar mais danos às tubulações. “Ninguém quer fazer com que a população seja prejudicada. Não interessa ninguém isso”, concluiu.

‘Pior passou’
Jerson Kelman disse que a crise hídrica vivida desde 2014 não deve se repetir este ano, segundo uma projeção feita por técnicos da Sabesp, em parceria com a USP. Questionado se a população poderia deixar de economizar ao perceber que o risco de desabastecimento é menor, o presidente da companhia defende que a crise deixou, como “legado”, a consciência da população sobre o valor da água e sobre a necessidade de não desperdiçar a água.

“Durante a crise, muitos fizeram mais do seria o usual no sentido de uso parcimonioso, foi quase um comportamento em situação de guerra, sacrifício, economia extrema. O que nós sentimos necessidade de compartilhar com a população foi a informação é de que o pior passou, e que esses comportamentos extremados não são mais necessários. Agora nós não estamos dizendo: ‘bom, a crise acabou e agora liga o chuveiro, deixa o chuveiro aberto’. Não, nada disso. Continue economizando água”.

O último balanço sobre o programa de bônus e sobretaxa, entretanto, mostram que houve aumento no consumo. Em fevereiro, foi registrada taxa recorde de aplicação de multa para quem aumentasse o consumo e 15% dos clientes na região metropolitana tiveram que pagar a tarifa de contingência. Já o desconto na fatura caiu pela metade em fevereiro e apenas 44% dos consumidores conseguiram o bônus na conta. Em janeiro, o índice foi de 66%.

Do G1

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