Os argentinos são os estrangeiros que mais tem vindo trabalhar na Bahia nos últimos anos: em 2006, eram 104 hermanos atuando no estado com empregos formais, chegando em 2016, dez anos depois, a 205 profissionais. Nesses dez anos, o número estrangeiros de modo geral trabalhando com carteira assinada na Bahia teve pouco avanço, passando de 1.013 para 1.687 trabalhadores. Mesmo com o aumento, o contingente representa apenas 0,08% do mercado de trabalho local.
A preferência dos trabalhadores argentinos pela Bahia faz o estado destoar dos dados nacionais: os haitianos são os imigrantes com maior presença no mercado formal de trabalho brasileiro, principalmente após 2010, quando um terremoto devastou a ilha. Enquanto nos dados nacionais constam que, dos 115.961 trabalhadores não brasileiros contratados formalmente no Brasil em 2016, 26.127 pessoas eram originárias do Haiti (22,53% do total); na Bahia, registrava-se apenas 19 haitianos trabalhando no estado.
Depois dos argentinos, os estrangeiros que mais se fizeram presentes no mercado de trabalho formal baiano foram: portugueses (192), espanhóis (119); norte-americanos (100), italianos (97) e chilenos (84). Os dados são os mais recentes da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) relativos aos empregos formais na Bahia e foram analisados pela superintendência estadual de estudos econômicos e sociais (SEI).
Venezuelanos
Os números da Rais, de 2016, ainda não retratam eventuais impactos na Bahia do caso da imigração em massa de venezuelanos, fugindo da crise político-econômica de seu país – dados que só constarão da Rais de 2017, ainda em apuração. Em 2016, eram apenas 18 deles trabalhando formalmente no estado. Em todo o país, haviam, até então, 1.293 vínculos formais de profissionais oriundos da Venezuela, de Nicolás Maduro.
“Na Bahia, os estrangeiros estão principalmente no setor de serviços (1.114) e, na Região Metropolitana de Salvador, são 1.110, contra 577 no interior”, informa o diretor de pesquisas da SEI, Armando Castro. “O contingente de trabalhadores estrangeiros no estado representa apenas 0,08% do mercado de trabalho baiano, pois, segundo a RAIS, em 2016 tínhamos um estoque de 2.171.345 trabalhadores formais”, completa.
“São trabalhadores geralmente bem qualificados e que falam duas ou mais línguas e, por isso, são muito presentes no setor de turismo”, diz o empresário baiano Isaac Lima, que contratou argentinos, sírios, marroquinos, uruguaios e venezuelanos em sua rede de agências de viagens Cassi Turismo. Segundo ele, os estrangeiros já representam 15% do total de funcionários da empresa.
“A Bahia tem muitos atrativos que encantam o argentino, dentre eles, a particular receptividade do povo. Ao mesmo tempo, em Salvador, por exemplo, ainda se tem uma carência de profissionais qualificados para algumas áreas, daí porque muitos argentinos escolhem o estado não apenas para turismo, mas também para morar e trabalhar”, conta o argentino Henrique Paciotti, um dos funcionários da empresa de Isaac Lima.
Peso regional
A imigração latino-americana é explicada, pelo Ministério do Trabalho, como resultado do peso da economia brasileira na região, respondendo por cerca de 40% do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo o ministério, o País só não vem atraindo mais estrangeiros da América Latina, devido à crise brasileira.
O ministro do Trabalho em exercício, Helton Yomura, diz que o Brasil é um dos países mais acolhedores do mundo, o que se reflete não apenas no turismo, mas também no mercado de trabalho. “Somos um país privilegiado porque não temos aqueles conflitos por causa de religião e de etnia como ocorre em outros países. E isso faz com que sejamos referência para muitos imigrantes”, conclui.
A Tarde






