Por Caio Alves
Fotos:Aquivo/Banda
Não podemos deixar a música parar, e então ‘Aumente o Som’, que hoje vamos de ‘rock bebê’. E para animar a nossa coluna, entrevistamos a banda de rock Cangaceiro Hi-Tech, que mistura as batidas tradicionais do rock com pandeiro, violino e com letras que remetem a vida do povo do sertão.
Com uma nova formação desde 2012, a banda Cangaceiro Hi-Tech tem se destacado no cenário musical da região do Vale do São Francisco, e a equipe do Diário da Região entrevistou o baixista e back-vocal da banda, Junior HT, para saber um pouco mais sobre a banda.
Diário da Região: Como surgiu a banda Cangaceiro Hi-Tech? Há quanto tempo existe a banda?
Junior HT: A banda Cangaceiro Hi-Tech foi idealizada no fim dos anos 90 com o fim de outra banda, a Rappers Dura, da qual fazíamos parte eu (Junior HT) e Ricardo Pikeno. Nós ouvíamos muito rock’nroll, metal, hard-core, hip-hop e música eletrônica, mas também ouvíamos tanto quanto muita MPB, baião, xote, além de gostar de repente, disputas de violeiros, sambas do sertão e etc. Eu simplesmente não conseguia conceber uma música de um único estilo musical, fixa, estática, seguindo simetricamente os padrões desse ou daquele estilo: precisávamos isso sim, era romper esses padrões, porque a gente queria fazer rock com hip-hop, com música eletrônica, com metal, com hard-core e ainda assim, com a nossa cara, com a nossa herança musical, com a cara do sertão de onde crescemos do Nordeste, do Brasil. Assim, em 2002, começamos a botar em prática as músicas que vinham sendo compostas já desde que a ideia foi gerada.
D.R.: O que significa o nome da banda?
Junior HT: O nome da banda, além de representar essa alquimia: o sertão e o estrangeiro, o velho e o moderno, o primitivo e o tecnológico, chama a atenção para um símbolo forte do sertão que acaba nos representando, os cangaceiros. Por fim, a junção do Cangaceiro com o Hi-Tech nos traz um fenômeno que era pouco conhecido na época, mas já existiam, os piratas da internet, que é o que todos nós acabamos nos tornando. Só que no nosso caso, sertanejo que somos, em vez de piratas, somos cangaceiros da internet, ou Cangaceiro Hi-Tech!
D.R.: Quantas pessoas fazem parte da banda?
Junior HT: Começamos a tocar em 2002 e, apesar da ótima receptividade que obtivemos na época, precisei mudar de cidade em 2003 por questões de trabalho. Foi ficando difícil dar continuidade com a banda, assim, paramos de tocar em 2004. Oito anos depois, já de volta a Juazeiro, muita gente comentava ainda sobre a banda e até pedia que voltássemos à ativa, então em 2012 voltamos a tocar com nova formação, restando da formação original apenas eu, Junior HT (baixo e back-vocal/Juazeiro) e Ricardo Pikeno (vocal e beat-box/Petrolina), e completaram o time: Fabinho F. Rodrigues (guitarra/Petrolina), Guilherme Wanderley (bateria/Petrolina) e Victória Duarte (violino, baixo e percussão/Petrolina).
D.R.: O que a Cangaceiro Hi-Tech trouxe de inovador para o cenário musical do Vale do São Francisco? Essa junção do violino, pandeiro e rock tem dado certo?
Junior HT: O que a gente traz de novo é um som fora dos padrões, onde a miscigenação sonora não tem limites, fora dos padrões até dos mais antenados. Somos uma banda influenciada por todo tipo de manifestação musical sincera, artística, mas sem ser igual a ninguém. Por isso misturamos o clássico ao rock, ao pandeiro, ao eletrônico, ao regional, porque gostamos de tudo isso. E o mais interessante é que as pessoas que gostam de boa música têm gostado e a resposta do público é ótima. Acabamos sendo apreciados por pessoas de diferentes tribos e direcionamentos musicais e ainda assim, não abrimos concessões comerciais, não aceitamos que nossa música seja banal, descartável, não fazemos música para vender nem pra fazer sucesso, tocamos de forma sincera, tocamos porque gostamos, porque queremos acrescentar algo de bom na cabeça de quem nos escuta.
D.R.: As músicas que vocês tocam nos shows são de vocês, ou vocês mesclam com letras de outras bandas?
Junior HT: Tocamos, pelo menos, 90% de músicas próprias. Colocamos alguns covers no show apenas para lembrar algumas bandas ou artistas que nos inspiram que merecem ser lembrados e ouvidos. Às vezes fazemos versões dessas músicas, pra não ficar igualzinho e ter a nossa cara também. Tem show que tocamos apenas um único cover, apenas pra miscigenar até nesse sentido.
D.R.: Qual mensagem vocês transmitem com a música de vocês?
Junior HT: Esse também é um ponto fundamental na CangaceiroHi-Tech. Nós queremos incitar o raciocínio das pessoas que nos escutam. As letras podem ser classificadas como letras de protesto, mas não o simples protesto panfletário, buscamos focar na autoanálise, na autorevolução de cada indivíduo como meio de mudar o mundo, pois acreditamos que o problema da humanidade é cada um de nós, e se cada um resolver o seu próprio problema, inevitavelmente o mundo estará mudando. Queremos ainda falar de nós mesmos, do nosso sertão, dos nossos costumes, do nosso sotaque, porque fazemos parte de uma região cultural muito diferente e bonita, que não pode ser esquecida, ignorada, ou mesmo menosprezada. Queremos abrir os braços pro mundo inteiro e mesmo assim, ainda continuar sendo “cabras do sertão”.
D.R.: Como você vê o cenário musical para as bandas alternativas aqui na região? Ainda é um mercado pouco divulgado, ou isso está mudando?
Junior HT: Em todo o Brasil a boa música, a música como arte, com conteúdo, tem sofrido com o empobrecimento cultural da população em geral, causado pela indústria musical, que visa apenas o lucro fácil, pelos grandes meios de comunicação, que visam apenas o ibope que gera lucro, e pelos políticos que visam apenas os votos que também lhes gera lucro, e todos contam com a ignorância da população como facilitador do lucro desejado. A cultura do “jabá”, que assola os meios de comunicação brasileiros, é um crime doloroso contra a cultura, pois quem faz música pela música jamais pagaria (nem deve pagar) pra ver sua música tocando no rádio ou televisão. Nesse contesto, a música alternativa sofre ainda mais por não ser de fácil diluição e por ser mais firme contra o jogo sujo da música brasileira. Sinto que a situação tem melhorado com a popularização da internet, pois assim as bandas têm conseguido divulgar o seu trabalho sem precisar se valer dos meios sujos da mídia brasileira. Hoje divulgamos nossas músicas e shows pela internet e as pessoas têm a chance de conhecer as músicas e saber que aquela tal banda vai tocar, sem precisarmos colar um só cartaz na cidade. Com isso, tem crescido o público e o número de eventos na região. Os órgãos públicos de cultura, impulsionados por algumas boas mentes, já estão entendendo também que a música que hoje faz sucesso, só visa lucro e não a cultura, e se eles não tomarem providências, esses órgãos vão se tornar desnecessários. Hoje em dia a própria mídia que viveda “descultura” nacional, sente a necessidade de reparar o mal causado e tem aberto pequenos espaços para a boa música em geral. Mas ainda há um longo caminho a percorrer até chegar numa condição ideal.
D.R.: Já tocaram ou receberam convites para tocar fora daqui da região?
Junior HT: Já tocamos em Feira de Santana-BA, Juazeiro do Norte-CE, Salgueiro-PE, e já recebemos alguns outros convites que preferimos não aceitar devido a falta de infraestrutura mínima ou apoio à banda, o que é bastante comum na música alternativa.
D.R.: A banda já tem CD gravado?
Junior HT: A banda não tem CD gravado e talvez não tenha tão cedo esse tipo de material. Não se a iniciativa depender apenas da banda. Pretendemos sim entrar em estúdio brevemente para gravar músicas que serão disponibilizadas para download na internet para qualquer um que tenha o interesse em conhecer a nossa música.
D.R.: Como sabemos das novidades da banda?
Junior HT: Temos o facebook onde todas as movimentações da banda em outras redes e no mundo real são divulgadas, é só ir lá e nos adicionar: www.facebook.com/cangaceiro.hitech. E temos também o nosso perfil no TNB, onde há release, fotos e vídeos para serem assistido, é só dar uma conferida lá: http://tnb.art.br/rede/cangaceirohitech. E quem quiser saber sobre as bandas e eventos da música alternativa na região do Vale do São Francisco é só dar um pulo no blog do Velho Chico Rock Clube, começando, claro, pela nossa biografia lá:
www.velhochicorockclube.com.br/2011/08/cangaceiro-hi-tech.html






