Segundo o Ministério da Saúde (MS), a taxa de detecção de Aids entre o público com mais de 60 anos por 100 mil habitantes saltou de 4,8 para 8,7 nos últimos 12 anos. Para especialistas, esse aumento é resultado de uma fraca atuação de conscientização e combate entre os idosos, o que pode fazer com que o número cresça ainda mais. Segundo o infectologista Jean Gorinchteyn, médico do Ambulatório de Aids do Idoso do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e autor do livro “Sexo e Aids depois dos 50”, “As campanhas durante o período de Carnaval ou fim de ano usam linguajar e personagem jovens. Essas escolhas levam o idoso a não se sentir em risco”. De acordo com o MS, a última ação voltada para a população idosa foi divulgada no Carnaval de 2009, com o “Bloco da Mulher Madura”, como continuidade à campanha de 2008.
Para Gorinchteyn, as pessoas ignoram a sexualidade dos idosos, o que inclusive prejudica a sociedade médica em diagnósticos. Ele explica que doenças do próprio envelhecimento acabam escondendo o HIV, exemplificando com casos de pneumonia: em jovens, o quadro causa estranheza e é investigado; já em idosos, é facilmente justificada pela saúde frágil e mudança climática. “Não é só um preconceito da população. Quando os casos começaram a aparecer, em 1996, a sexualidade dessa população não era nem considerada”, afirma.
E a questão traz ainda um outro problema: a rejeição dos familiares. Uma enfermeira da Casa Guadalupe, especializada em atendimento a idosas soropositivas em São Paulo, conta que não é incomum pacientes serem rejeitados por familiares após o diagnóstico, que por vezes evitam até mesmo contato por medo de contágio. “Uma vez descobrimos que uma senhora era mantida em um porão da casa para não estar no mesmo convívio da família”, conta. Apesar da Aids ser comumente relacionada a profissionais do sexo, apenas duas das dez pacientes da Casa eram prostitutas.
Informações do IG.




