
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (18), em Brasília, que cabe apenas à presidente decidir sobre a eventual demissão da presidente da Petrobras, Graça Foster. Segundo ele, o “problema” é da sua afilhada política e sucessora.
Lula participou nesta quinta de cerimônia que celebrou, no Ministério da Justiça, os dez anos da realização da reforma do Judiciário. Ao final do evento, ele foi questionado por repórteres sobre se considerava que Graça Foster deveria deixar o comando da petroleira em razão das denúncias de que ela foi informada por uma executiva da estatal das irregularidades que estavam sendo cometidas na empresa antes mesmo da deflagração da Operação Lava Jato, em março.
“Eu não acho. […] É um problema da presidente Dilma, não é meu”, ressaltou o ex-presidente aos jornalistas.
Em meio ao seu discurso no evento, Lula criticou – sem fazer menção direta à investigação que apura o esquema de corrupção que tinha tentáculos na Petrobras– o que ele classificou de “vazamento seletivo” de inquéritos com “objetivos político-partidários”. O petista também reclamou de um suposto “pré-julgamento público”.
“Neste momento em que se realizam investigações capazes de conduzir ao expurgo de práticas ilícitas e corruptos e corruptores, há setores que se lançam ao vazamento seletivo de inquéritos com objetivos político-partidários”, declarou Lula na cerimônia que comemorou a primeira década de implantação da reforma do Judiciário.
A reforma, promovida pela Emenda Constitucional 45/2004, trouxe benefícios como mais rapidez na tramitação de processos judiciais e a criação de órgãos de fiscalização e controle do Judiciário e do Ministério Público, além do fortalecimento da Defensoria Pública.
Na manhã desta quinta, Lula recebeu das mãos do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a Medalha Nacional do Acesso à Justiça, na categoria gestor público. A distinção é concedida a personalidades que tenham cooperado para a melhoria do acesso ao Judiciário.
Em meio à solenidade, Lula teceu elogios ao ex-ministro da Justiça e criminalista Márcio Thomaz Bastos, que morreu em novembro. Ministro de Lula entre 2003 e 2007, Thomaz Bastos recebeu uma homenagem póstuma na solenidade do Ministério da Justiça.
Na cerimônia, o ex-presidente chamou o Thomaz Bastos de “meu amigo, meu advogado e meu companheiro em tantas jornadas democráticas”. Lula também enalteceu a trajetória profissional do criminalista.
“[Thomaz Bastos] era uma rara espécie de ser humano, desses que se tornam imprescindíveis porque lutam toda uma vida pelas causas mais nobres”, declarou.
Antes de começar a sua fala, Lula deixou cair, sem querer, o papel em que estava escrito seu discurso. Ele então brincou, ao recolher o papel do chão: “Nesta fase de contenção de despesa, a gente não pode perder nem um guardanapo”.
Outros homenageados
Além de Lula, outras 36 pessoas também foram agraciadas nesta quinta-feira com a medalha que celebra o acesso à Justiça, entre os quais o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Marcus Vinícius Furtado Coêlho.
Na solenidade, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, leu uma mensagem na qual a presidente Dilma Rousseff parabenizava os homenageados e anunciava que a Medalha Nacional de Acesso à Justiça, concedida pela primeira vez nesta quinta, será batizada a partir da edição do ano que vem com o nome do advogado Márcio Thomaz Bastos.
Ao discursar, Lewandowski ressaltou que a reforma trouxe mais celeridade ao Judiciário, mas observou que os juízes enfrentam “quase que uma missão impossível” diante da quantidade de processos em tramitação. “Há cerca de 100 milhões de processos para 16,5 mil juízes”, ponderou.
O presidente do Supremo defendeu ainda a ampliação do instrumento da conciliação e mediação na solução de litígios. “Trata-se de trocar a cultura do país, (…) da cultura do litígio pela cultura da pacificação”, disse.
Já Rodrigo Janot observou, em seu discurso, que ainda há muito a ser feito para melhorar a prestação jurisdicional, mas ressaltou que era preciso reconhecer os avanços obtidos.
“O dia de hoje nos faz refletir sobre a dimensão deste caminho e sobre os novos desafios, ao tempo em que colhemos os frutos da reforma constitucional, em que vislumbramos um judiciário mais célere”, disse o chefe do Ministério Público.
Fonte: Portal G1/Política




