6 novembro 2024, 07:49 -03

Donald Trump é o vencedor das eleições presidenciais (acompanhe aqui nossa cobertura ao vivo) nos EUA se tornando o 47º presidente do país.

A vitória de Trump foi confirmada assim que os Estados de Wisconsin e Alasca divulgaram o resultado final da apuração dando ao republicano 13 cadeiras adicionais garantindo 279 assentos e maioria no Colégio Eleitoral.

Se antecipando à divulgação do resultado final, Donald Trump fez, na manhã de quarta-feira (06/11), discurso de agradecimento aos eleitores se declarando vencedor.

Falando em um centro de convenções na Flórida, Trump disse que era uma honra extraordinária receber do povo americano o poderoso mandato que lhe tornava o 47º presidente dos Estados Unidos, depois de já ter sido o 45º.

A vitória de Trump ficou mais evidente após confirmação do resultado favorável ao republicano nos Estados-chave da Pensilvânia e Geórgia, considerados indefinidos nas últimas pesquisas de opinião antes do pleito.

A candidata democrata, Kamala Harris, conseguiu apenas 223 cadeiras até o momento de publicação desta reportagem.

Ainda permaneciam 4 Estados por confirmar, com um total de 36 cadeiras no Colégio Eleitoral. Destes, Trump lidera com boa margem em 3 deles o que garantiriam ao republicano outros 32 assentos no Colégio Eleitoral.

Mas o que se pode esperar de um segundo mandato de Trump na Presidência?

Seu primeiro mandato, entre 2017 e 2020, pode ser um bom indicador de como vai ser o segundo — que começa em 20 de janeiro de 2025.

Trump deve “continuar de onde parou” em 2020, no final de seu primeiro mandato presidencial.

Um projeto inacabado é o fechamento da fronteira sul dos EUA e a construção de um muro — uma política que marcou seu primeiro mandato.

Na época, ele não conseguiu obter a aprovação do Congresso para o financiamento necessário para construir o muro conforme previsto.

Agora, os republicanos conquistaram o Senado e podem também garantir maioria na Câmara dos Representantes (até o momento da publicação desta matéria os republicanos lideravam a apuração para a Câmara com 200 dos 218 assentos necessários para obter maioria), dando a Trump uma confortável liderança para aprovação de seus projetos como a construção do muro, uma das promessas de campanha.

Deportações em massa

Também é provável que Trump conte com apoio do Congresso para o seu plano de fazer uma deportação em massa de imigrantes que não tenham visto para morar nos EUA.

De acordo com estimativas do Pew Research Center, havia cerca de 11 milhões de imigrantes não autorizados nos EUA em 2022, embora Trump tenha afirmado ao longo da campanha que o número seria muito maior.

Especialistas alertaram que qualquer deportação em massa seria custosa e difícil de implementar, e poderia ter efeitos negativos em certas áreas da economia nas quais o trabalho de imigrantes tem um papel fundamental.

Menos impostos para ricos e empresas

Quando Trump aceitou a nomeação do Partido Republicano como candidato presidencial, em julho, ele prometeu “acabar com a devastadora crise inflacionária imediatamente, reduzir as taxas de juros e diminuir o custo da energia”.

Ele quer prorrogar os cortes de impostos que promulgou em 2017, que devem expirar em 2025.

Essa foi a maior reforma tributária em décadas, que Trump alegava que tinha o objetivo de simplificar o código tributário e promover o crescimento e o investimento.

No entanto, os maiores cortes beneficiaram empresas e ricos, algo que os democratas queriam reverter.

Também se espera que Trump reduza ainda mais os impostos sobre lucros das empresas, para 15%, e elimine impostos sobre gorjetas e pagamentos de previdência social para aposentados.

Mais impostos para produtos estrangeiros

Trump também quer expandir os trabalhos de perfuração para exploração de petróleo, pois acredita que isso reduziria os custos de energia, embora analistas estejam céticos.

Ele também disse que planeja criar impostos de 10% a 20% sobre a maioria dos produtos estrangeiros, com as importações da China sofrendo o impacto de 60%.

Muitos economistas alertaram, no entanto, que tais medidas acabarão sendo pagas pelos consumidores americanos na forma de preços mais altos.

Em seu primeiro mandato, Trump iniciou uma guerra comercial com Pequim, acusando a China de práticas comerciais desleais e roubo de propriedade intelectual.

Relação com o Congresso

No entanto, a composição do Congresso dos EUA, sem dúvida, vai determinar se Trump será capaz de realizar as políticas que prometeu da maneira que deseja. Se as últimas apurações confirmarem as tendências observadas, pode ser que os republicanos assumam o controle das duas casas, dando a Trump um confortável mandato em relação à aprovação de projetos da Presidência.

Vale lembrar que no início do primeiro mandato de Trump como presidente, entre os anos de 2017-2019, os republicanos também tinham o controle do Senado e da Câmara.

Mas naquela época, como um “novato” em Washington, Trump era visto como desconhecedor do funcionamento do Congresso e isso prejudicou sua capacidade de aproveitar a vantagem republicana de estar na Casa Branca e ter maioria no Congresso para obter grandes vitórias políticas, disseram analistas políticos na época.

Se confirmada a maioria republicana em ambas as casas do Congresso nessas eleições de 2024, o governo Trump provavelmente buscará uma legislação que inclua apoio para, entre outras coisas, segurança de fronteira, conclusão do muro e cortes de impostos.

Proibição do aborto

A revogação do direito ao aborto nos Estados Unidos é uma das maiores conquistas políticas da agenda republicana executada por Donald Trump durante o seu primeiro governo, mas durante a campanha de 2024 tornou-se uma espécie de campo minado eleitoral para ele.

Durante seu primeiro mandato, Trump indicou três juízes da Suprema Corte que foram essenciais para anular o direito constitucional ao aborto, a decisão de 1973 conhecida como Roe v. Wade.

Esta nova maioria conservadora revogou em 2022 o direito ao aborto no nível federal (em vigor desde 1973), que era precisamente um dos objetivos que o político republicano tinha proposto com estas nomeações.

Esta mudança teve consequências. Atualmente, existem 14 Estados em que há proibição total ou quase total do aborto e há outros três Estados em que só é permitido antes da sexta semana de gravidez, altura em que é comum que as mulheres nem tenham descoberto que estão grávidas.

Devido a estas proibições, houve casos de mulheres que morreram porque os médicos não lhes prestaram os cuidados de saúde necessários, por medo de serem processados criminalmente.

Estas medidas levaram a reveses políticos para os republicanos, que perderam várias eleições locais desde 2022, mesmo em Estados tradicionalmente conservadores, onde a maioria dos eleitores considerou que as restrições impostas ao aborto foram longe demais.

Isto obrigou Trump a buscar uma espécie de equilíbrio durante a campanha.

Durante o debate televisivo de setembro com Kamala Harris, ele disse que não assinaria uma proibição federal ao aborto, pois “não há razão para assinar a proibição porque conseguimos o que todos queriam”, de acordo com suas palavras.

Ele criticou a legislação da Flórida que proíbe aborto após a sexta semana de gravidez, mas também disse que se opõe a uma iniciativa eleitoral para restabelecer o direito ao aborto naquele Estado.

Embora possa parecer que seu posicionamento como presidente seja uma incógnita devido a essa moderação de campanha, a postura de apontar nomes conservadores para cargos no Judiciário e em órgãos públicos deve continuar a todo vapor — como mostra o chamado Projeto 2025.

Mais poder para o presidente: Projeto 2025

Batizado de Projeto 2025 e elaborado pela fundação conservadora Heritage Foundation, o projeto é um plano com mais de 900 páginas que prevê uma série de mudanças na estrutura de governo americana que podem afetar o país para muito além dos quatro anos de mandato de Trump.

O plano prevê a demissão de milhares de servidores públicos de carreira, o aumento de cargos de confiança — ou seja, cargos ocupados por indicação política —, a expansão dos poderes do presidente, o desmantelamento do Departamento de Educação (equivalente a ministério) e de outras agências do governo federal, além de cortes de impostos.

A Heritage Foundation divulgou seu plano em abril do ano passado.

O Projeto 2025 propõe colocar toda a burocracia federal — incluindo agências independentes, como o Departamento de Justiça — diretamente sob controle do presidente.

Essa ideia polêmica é conhecida como “teoria do Executivo unitário” e seus defensores dizem que isso agilizaria o processo de tomada de decisões.

O plano também propõe a eliminação da estabilidade no trabalho para milhares de servidores do governo, que poderiam ser substituídos por indicados políticos.

O documento classifica o FBI como uma “organização inflada, arrogante e cada vez mais fora da lei” — e pede uma reforma drástica nesta e em outras agências federais.

Críticos do projeto afirmam que ele vai politizar áreas que deveriam ser técnicas e ampliar demais o poder do presidente, ameaçando o equilíbrio entre os três poderes e a própria democracia.

‘Isolacionismo e unilateralismo’

Em política externa, o segundo mandato de Trump provavelmente se assemelhará ao primeiro — afastando os EUA de conflitos em outras partes do mundo.

Ele disse que acabará com a guerra na Ucrânia “dentro de 24 horas” por meio de um acordo negociado com a Rússia, um movimento que os democratas dizem que fortaleceria o presidente russo, Vladimir Putin.

Trump se posicionou como um firme apoiador de Israel, mas disse pouco sobre como acabaria com a guerra em Gaza.

“Vejo a Presidência de Trump marcada pelo isolacionismo e unilateralismo que oferece pouco além de um aprofundamento da instabilidade global”, diz Martin Griffiths, um mediador de conflitos e ex-Subsecretário-Geral da ONU para Assuntos Humanitários e Coordenador de Resposta a Emergências

Jamie Shea, ex-oficial da Otan e agora professor de estratégia e segurança na Universidade de Exeter, acha que o estilo do primeiro mandato do presidente Trump foi disruptivo, “mas em termos de substância, houve muita continuidade”.

“Ele não se retirou da Otan, não retirou as tropas dos EUA da Europa e foi o primeiro presidente dos EUA a dar armas letais à Ucrânia.”

Donald Trump é o segundo presidente na história do país a cumprir dois mandatos não consecutivos.

O anterior foi Grover Cleveland, que esteve no cargo entre 1885 e 1889, não conseguiu ser reeleito e quatro anos depois obteve um novo mandato, que exerceu entre 1893 e 1897.

BBC

Leave a Comment

Your email address will not be published.

You may also like

Juazeiro Política Relevantes

Eleições 2026: Ex PCdoB e PT, ex-prefeito Isaac Carvalho anuncia apoio a ACM Neto para Governo do Estado

post-image

O ex-prefeito de Juazeiro, Isaac Carvalho, anunciou seu apoio a ACM Neto (UNIÃO), pré-candidato a governador da Bahia nas eleições deste ano. Isaac afirmou que o atual governador, Jerônimo Rodrigues (PT), vem frustrando as expectativas dos baianos ao conduzir uma gestão centralizadora, distante do diálogo com as lideranças regionais, e que tem desagregado sua própria base aliada em diversos municípios do estado. Na avaliação de Isaac, a Bahia enfrenta hoje indicadores preocupantes no combate à violência, na geração de empregos e na educação.

Na ocasião, Isaac fez questão de deixar público seu agradecimento ao presidente estadual do PSD, senador Otto Alencar, “que sempre foi muito correto conosco”. Isaac agradeceu também ao senador Ângelo Coronel e ao deputado federal Diego Coronel, com quem mantém uma parceria de anos.

De acordo com a assessoria de imprensa, historicamente, Isaac Carvalho…

Read More
Política Relevantes

Papa Leão é convidado para o Conselho de Paz de Trump, diz cardeal

post-image

O papa Leão XIV está entre os líderes mundiais convidados a integrar o “Conselho de Paz” do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou o cardeal Pietro Parolin, principal autoridade diplomática do Vaticano, nesta quarta-feira (21).

Leão, o primeiro papa dos EUA e crítico de algumas das políticas de Trump, está avaliando o convite, afirmou o cardeal.

“O papa recebeu um convite e estamos considerando o que fazer. Acredito que será algo que exigirá um pouco de tempo para reflexão antes de darmos uma resposta”, disse Parolin a jornalistas.

O conselho foi inicialmente criado para pôr fim ao conflito em Gaza, porém Trump afirmou que o grupo terá um escopo muito mais amplo e buscará resolver conflitos globalmente.

Embora alguns países, como Israel e Egito, tenham aceitado o convite, vários outros…

Read More
Juazeiro Política Relevantes

Câmara de Vereadores de Juazeiro manifesta pesar pelo falecimento do deputado Alan Sanches

post-image

A Câmara de Vereadores de Juazeiro manifesta profundo pesar pelo falecimento do deputado estadual Alan Sanches (União Brasil), ocorrido neste sábado, 17 de janeiro.

O deputado Alan Sanches construiu uma trajetória marcada pela dedicação incansável à vida pública, pela seriedade no exercício do mandato e pelo compromisso firme com as causas sociais e com o desenvolvimento da Bahia.

Sua atuação política deixa um legado de trabalho, diálogo e respeito às instituições democráticas.

Neste momento de dor e consternação, o Poder Legislativo Municipal de Juazeiro se solidariza com os familiares, amigos, colegas parlamentares e com todos aqueles que conviveram e acompanharam sua caminhada pública, desejando conforto, força e serenidade para enfrentar essa perda irreparável.

A Câmara de Vereadores reconhece e registra sua contribuição para a política baiana e presta esta homenagem em sinal de respeito e gratidão pelos serviços prestados…

Read More
Política Relevantes Revista

Geraldo Alckmin afirma que o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE) deve entrar em vigor no segundo semestre deste ano

post-image

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, disse nesta quinta-feira (15) que o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE) deve entrar em vigor no segundo semestre deste ano: “Um acordo que, há 25 anos, era trabalhado, mas nunca saía. Finalmente, [será] assinado no sábado (17).”

“Assinado, o Parlamento Europeu aprova sua lei e nós, no Brasil, aprovamos a lei, internalizando o acordo. A gente espera que aprove a lei ainda neste primeiro semestre e que tenhamos, no segundo semestre, a vigência do acordo. Aí, ele entra imediatamente em vigência.”

Em entrevista a emissoras de rádio durante o programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Alckmin avaliou que o acordo entre Mercosul e União Europeia é o maior acordo entre blocos do mundo, envolvendo 720…

Read More
Política Relevantes

Haddad diz que caso Master pode ser a maior fraude bancária do país

post-image

O caso envolvendo o Banco Master pode se configurar como a maior fraude bancária da história do país, disse nesta terça-feira (13) o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Segundo ele, o governo acompanha de perto a atuação do Banco Central (BC) e mantém diálogo permanente com a autoridade monetária desde a decretação da liquidação da instituição financeira.

“O caso [Master] inspira muito cuidado, podemos estar diante da maior fraude bancária da história do país, podemos estar diante disso. Então temos que tomar todas as cautelas devidas, com as formalidades, garantindo todo o espaço para a defesa se explicar, mas, ao mesmo tempo, sendo bastante firmes em relação àquilo que tem que ser defendido, que é o interesse público”, disse o ministro ao chegar ao Ministério da Fazenda.

Haddad informou que tem conversado diariamente com o presidente…

Read More
Política Relevantes

Governo do Estado lança campanha de enfrentamento à violência contra a mulher

post-image

O futebol baiano entrou em campo neste sábado (10) com uma mensagem que vai além do esporte. Durante a abertura do Campeonato Baiano de Futebol 2026, o Governo do Estado lançou uma campanha pelo fim da violência contra a mulher, utilizando a visibilidade do Baianão para ampliar a conscientização e incentivar a denúncia de casos de violência de gênero. A iniciativa é da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), em parceria com o Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (Irdeb), e marcou a partida entre Vitória e Atlético de Alagoinhas, no Barradão, em Salvador.

A campanha utiliza diferentes formatos de comunicação para chamar a atenção para situações cotidianas de medo, insegurança e violência vividas por mulheres. Antes do início da partida, os jogadores entraram em campo vestindo jaquetas que cobriam os uniformes e exibiam manchas roxas, simbolizando marcas de…

Read More
Juazeiro Política Relevantes

Bahia inicia ano eleitoral com oposição unificada e PT em busca de hegemonia, diz Folha de São Paulo

post-image

Em uma inauguração que reuniu as oposições em Porto Seguro, uma imagem do ex-senador Antônio Carlos Magalhães (1927-2007) gerada por inteligência artificial aparece no telão em um discurso que fala em amor pela Bahia e encoraja ACM Neto (União Brasil) a ser candidato a governador.

No mesmo dia, no final de dezembro, o ex-prefeito de Salvador confirmou que vai desafiar novamente o governador Jerônimo Rodrigues (PT) em 2026: “Sim, sou candidato a governador da Bahia”, disse ACM Neto em evento marcado por uma exaltação da memória do avô e críticas ao PT.

O discurso deu a largada para sucessão ao Governo da Bahia, que deve repetir o embate de 2022 entre Jerônimo e ACM Neto. Desta vez, contudo, a disputa terá novos ingredientes, como uma possível chapa pura do PT e uma oposição unificada no estado.

Política Relevantes

Fronteira do Brasil com a Venezuela está tranquila e aberta, diz Múcio

post-image

A fronteira do Brasil com a Venezuela, no estado de Roraima, está tranquila, monitorada e aberta, informou neste sábado (3) o ministro da Defesa do Brasil, José Múcio. O governo disse ainda que não há notícia de brasileiros feridos pelos bombardeios dos Estados Unidos (EUA) contra a Venezuela.

“A fronteira está absolutamente tranquila. Nós temos um contingente já há algum tempo lá de homens e equipamentos. Estamos aguardando que as coisas aconteçam. Vamos aguardar a entrevista do presidente da República dos Estados Unidos, algumas coisas que vão acontecer durante o dia”, disse Múcio.

O ministro da Defesa disse que o Brasil tem 10 mil militares na região amazônica, com 2,3 mil em Roraima. Múcio acrescentou que há muita informação desencontrada e que o governo monitora os acontecimentos.