Por Emaísa Lima
Quem nunca, durante uma apresentação, ou até mesmo falando em público, pela timidez ou nervosismo, se brincar a soma dos dois, terminou por ficar sem saber o que dizer na frente de alguém? É para dar-te dicas de como falar e se comportar bem, na frente de várias pessoas, que o Diário da Região foi ter uma conversa com a palestrante profissional e escritora, Fabiana Rolim.
[Diário da Região: DR] A clássica pergunta: Tenho pavor de falar em público e agora?
[Fabiana Rolim: FR] Qualquer pessoa pode falar em público com excelência e segurança, mas isso requer treinamento, ou seja, utilizamos a mesma estratégia de qualquer outro aprendizado: a repetição. Os cursos de oratória trazem uma série de técnicas para melhorar o desempenho do candidato a orador. As técnicas elevam a sua autoestima e lhes garantem mais segurança para falar em público, porém é através da repetição/treinamento que vamos alinhando o nosso talento e minimizando o ‘medo’. Quanto mais falamos em público, mais nos acostumamos! É importante salientar que muitas pessoas confundem o nervosismo com medo, ou seja, acreditam que aquele tremor no corpo, o branco na cabeça, a sudorese (suor excessivo) – típicos de um momento de nervosismo inicial – são medo de falar ao público. Na realidade, este é um momento que fisiologicamente o organismo prepara-se para se defender, visto que é uma situação nova. Por isto, este quadro de ‘chiliques’ que muitas pessoas conhecem. Ressalto aqui que até grandes oradores, cantores de longa carreira, artistas, sentem este ‘friozinho na barriga’ antes de se apresentar. Medo é o que realmente paralisa e te impede de seguir adiante com a apresentação. Em casos de medo, trauma ou fobia, só realmente o trabalho de um profissional sério da área de oratória pode resolver. Alguns tratamentos podem ser indicados de forma multidisciplinar, a depender da gravidade, como sessões com psicólogo, massoterapeuta, etc. Porém, na minha prática de 14 anos no ensino da arte oratória tive apenas um caso que teve esta prescrição.
[DR] Caso eu esteja de frente a um grande público, no momento de minha apresentação, como faço para conquistar a plateia?
[FR] Existem muitas técnicas para conquistar a plateia. Mas, posso afirmar que o primeiro passo é traçar um perfil do público para o qual será feita a apresentação e preparar o material adequado, customizado a este grupo. Há técnicas de voz, de expressividade corporal e até mesmo slides em Power point e Prezi (programas nos quais são feitas as apresentações no computador) que enchem os olhos, porém nada substitui o tripé conhecimento, respeito ao seu público e humildade.
[DR] O que se deve fazer, na seguinte situação: E se der branco?
[FR] O ‘branco’ é uma reação fisiológica do organismo, causado pela adrenalina. No curso de oratória, os participantes têm acesso a uma série de exercícios que diminuem esta possibilidade. O trabalho com respiração é um deles: respirar corretamente permite melhorar a oxigenação no organismo e cérebro e, desta forma, a calma pode ser restituída e os pensamentos voltarão à tona. Porém, o participante pode levar o script: folha com os principais pontos que serão abordados na apresentação. Assim, quando necessário, poderá consultar este material.
O script deve ser organizado previamente, com letras em fonte 14 ou 16 e espaçamento duplo, para evitar o embaralho de palavras de quando estamos nervosos. São como cartões de memória.
Podemos ter ideias de como preparar um script ao assistir alguns programas de tv em que o apresentador segura uma espécie de ficha.
[DR] O que não se pode fazer de jeito nenhum, seja durante uma apresentação ou falando em público, para que a mensagem não tenha nenhum ruído?
[FR] Vou dizer o que devemos fazer sempre: compreender o público e falar a linguagem dele. Um médico, por exemplo, pode ter diversos públicos.
Caso for falar em um Congresso para outros médicos deve fazer sua explanação abordando os termos técnicos comuns à classe. Isso lhe trará autoridade e credibilidade. Agora, imagine este mesmo profissional realizando uma apresentação em uma semana educativa de uma escola, para estudantes adolescentes: terá que traduzir os termos que para ele são rotineiros, mas para o seu público, naquela situação, não. Pode até, de forma leve, utilizar alguns jargões/gírias que os adolescentes utilizam para criar empatia.
[DR] Como lançar mão do humor em uma apresentação?
[FR] Atualmente trabalhamos com o conceito de Oratória Moderna, na qual cabe a cada orador/apresentador exprimir a sua personalidade durante a sua apresentação. Encontramos de oradores mais sérios até oradores comediantes, que parecem fazer uma stand up comedy de sua apresentação.
Um orador que vem trazendo grande aparição nacional, por exemplo, é o Bráulio Bessa, que transmite informações seguindo a cultura nordestina, utilizando o cordel em suas apresentações. Este é o estilo dele. Faz com excelência, fica bonito, mas em outra pessoa talvez não surtisse o mesmo efeito. A grande orientação é: faça aquilo que for natural para você! Humor nem sempre combina com o orador ou a apresentação. Eu gosto de utilizar vídeos leves que, em algum momento trabalham o humor. Porque sei que contos piadas e nem sempre arranco sorrisos.
O orador jamais deve forçar a barra, buscando fazer algo que não lhe é natural. O público percebe tudo o que é forçado, artificial e não transmite credibilidade.
[DR] Se, durante uma apresentação, existir na plateia, uma pessoa inconveniente, como se comportar?
[FR] Quase sempre há! (risos) Geralmente, estas pessoas inconvenientes são os chamados pavões, gostam de aparecer bastante, sentem necessidade de autoafirmação. O ideal é ‘chamá-la para junto’, ou seja, deixar que ela expresse seu ponto de vista, chamá-la para auxiliar, pedir para que a mesma confirme algumas afirmações suas, complemente. Estas pessoas precisam sentir-se úteis, apenas isso.
[DR] O que eu falo com as mãos durante a apresentação?
[FR] As mãos carregam grande expressividade. E ficam estabanadas quando estamos nervosos. Todo candidato a orador faz treinos intensivos para fazer com que as mãos ‘colaborem’ nas apresentações. O que fazer: moldar os gestos, torná-los conscientes e expressivos. O que evitar: ‘cacoetes’ (os famosos tiques nervosos) como ficar pegando em nariz, ajeitando cabelo, segurando uma caneta que não precisa colocá-las presas no bolso.
[DR] Existe alguma maneira de evitar ou diminuir a timidez?
[FR] Sim, treinando bastante e utilizando técnicas aprendidas em curso de Oratória.Eu, por exemplo, sou tímida. Porém, como palestrante, tenho excelente desempenho. Procurei a Oratória em um momento que a faculdade me exigia muitas apresentações e eu era travada. Apaixonei-me pelos recursos, apliquei em sala de aula, aprendi e aprimorei na metodologia que tenho hoje no meu curso. Qualquer pessoa pode falar em público, inclusive os tímidos.
São 14 anos ensinando a oratória. Aos que participam do curso e não treinam as técnicas, não vejo uma diferença significativa. Porém, tenho ex-alunos que, como eu, são tímidos, mas aplicaram as técnicas e hoje dão show em público.
A prática traz a excelência. É assim com qualquer atividade que você se proponha a fazer: para ser um excelente cozinheiro você queimará muita panela até chegar a perfeição, para ser excelente motorista, provavelmente cometerá algumas barbeiragens no início, mas com prática atingimos excelente desempenho.
[DR] É possível dizer, que não apenas a voz, mas o corpo humano também fala?
[FR] Sim, e muito. Trabalhamos com a regra dos 7/38/55. Numa comunicação, o interlocutor apreende o que transmitimos 7% através da mensagem, 38% através da voz e 55% através do corpo. Precisamos utilizar com eficiência o nosso corpo e a nossa face. Saber caminhar corretamente, como movimentar mãos, como expressar a ideia através de nossa expressividade facial. O público precisa sentir no nosso corpo a mensagem que estamos transmitindo.
[DR] Qual a maneira certa de usar a voz?
[FR] A voz deve ser utilizada através de modulações: brincar com o volume baixando e aumentando em momentos que queremos enfatizar alguma idéia no discurso. A voz monótona causa sono. E a última coisa que queremos é que o nosso público durma, não é mesmo?




