Exposição coletiva “Caminhando” estuda o corpo na arte e é primeiro rebento do Grupo de Estudos Processos de Curadoria do CCBNB-Fortaleza

“Caminhando” trata-se da primeira exposição resultante dos encontros do Grupo de Estudos Processos de Curadoria do CCBNB-Fortaleza.

Fortaleza, 20 de Abril de 2013 – A exposição coletiva “Caminhando” está em cartaz no Centro Cultural Banco do Nordeste-Fortaleza, com curadoria do Grupo de Estudos Processos de Curadoria do CCBNB-Fortaleza. Gratuita ao público, a mostra fica em cartaz até o próximo dia 17 de maio (horários de visitação: de terça-feira a sábado, de 10h às 20h).

“Caminhando” trata-se da primeira exposição resultante dos encontros do Grupo de Estudos Processos de Curadoria do CCBNB-Fortaleza. A iniciativa de reunião deste grupo visa promover um debate sobre o campo de atuação deste profissional cada vez mais importante no cenário contemporâneo, o curador.

A mostra é resultado dos encontros e discussões do grupo e apresenta ao espectador questionamentos a respeito do corpo e suas potencialidades através das obras de alguns dos artistas que integram o recente acervo do CCBNB.

São eles: Amanda Melo, Carlos Melo, Cristiano Lenhardt, Filipe Acácio, Gaio Matos, Juliana Notari, Marina de Botas, Nino Cais, Rodrigo Braga, Solon Ribeiro, Waléria Américo e Yuri Firmeza.

Por sua vez, o Grupo de Estudos Processos de Curadoria do CCBNB-Fortaleza é formado por: Bia Perlingeiro, Clara Machado, Cecília Bedê, Juliana Castro, Kennedy Saldanha, Lara Vasconcelos e Mel Andrade.

Do processo (texto de Cecília Bedê)

O caminho que pretende percorrer este texto tem o objetivo de deixar um rastro do processo de trabalho do Grupo de Estudos Processos de Curadoria, que tem na mostra “Caminhando”, um lugar de decantação das ideias trabalhadas e alcançadas durante os encontros. O percurso do grupo incluiu: leituras e pesquisas coletivas, debates, encontros com artistas, visitas ao acervo e às exposições do CCBNB-Fortaleza, produção de textos críticos, seleção de obras e elaboração do projeto da exposição. A intenção era passar por todo o processo de trabalho de um curador e se deparar com questões, problemas e soluções que este profissional pode vir a encontrar em seu caminho.

“O que exatamente vocês fazem, quando fazem ou esperam fazer curadoria?”. Este é o título da vídeo-instalação dos artistas Yuri Firmeza e Pablo Lobato – que tivemos a oportunidade de ver no CCBNB-Fortaleza – e é também a pergunta que se faz hoje. Durante os estudos do Grupo, chegamos a quase-respostas ao encontrarmos depoimentos, entrevistas e falas de curadores, na instalação citada e em publicações e textos encontrados; porém, só nos deparamos com algo próximo ao entendimento da curadoria quando nos vimos fazendo uma. A busca pelo conhecimento da atividade do curador levou a penetrar nela mesma e com isso chegamos à inevitável consequência de tanta procura – a exposição.

Durante os primeiros encontros do Grupo, estudamos mais diretamente sobre o processo de trabalho do curador e a construção de curadorias.Visitamos o acervo do CCBNB, concomitantemente às discussões sobre os textos, com a finalidade de conhecer as obras e escolher algumas para trabalharmos. Diante do pouco espaço da reserva técnica e devido às mudanças pelas quais o CCBNB-Fortaleza estava passando, acabamos por ver poucas obras, talvez as mais recentes a comporem o acervo. Mas, apesar do pequeno leque, algo se colocou à nossa frente e nos tomou de assalto: o corpo presente. A partir daí, começamos uma busca intensa pelo corpo, na arte.

A “arte do corpo”, assim como classificada do tipo “ismo”, é datada. A partir dos anos 1950 já se falava, registrava e vivenciava experiências com o corpo. Em se tratando de obras consideradas contemporâneas e mais especificamente nas obras que escolhemos como ponto de partida, nos veio a pergunta: o que pode ser absorvido como novo, diante da ainda utilização do corpo? Foi aí que chegamos ao texto “Afinal, o que há por trás da coisa corporal?”, de Suely Rolnik, onde a autora traz uma provocação, chamando a atenção para os trabalhos contemporâneos que evocam não o “corpo”, mas sim a “coisa corporal”, a imagem do corpo, a literalidade dele, ele como um suporte quase técnico. Então, deixa no ar a pergunta, onde está o corpo de fato nessas obras? Essa é a pergunta que nos move e que queremos provocar com a exposição. Em alguns momentos, destacamos frentes que nos levavam a possíveis discursos. Foram elas: o corpo implicado, a presença do artista ou a sua intimidade, o personagem e a proposição. Questões que, de certa forma, perpassam todas as obras aqui trabalhadas. Com tudo isso, fizemos um grande passeio por textos que nos alimentaram.

A exposição se chama “Caminhando”, título que faz referência à obra da artista Lygia Clark, que marca um momento importante da arte contemporânea brasileira, quando o corpo passa a não ter mais um papel coadjuvante, como o corpo do artista que cria. Com ela, queremos então trazer ao espectador, não a resposta, mas sim a pergunta: o que há de mais profundo do que o próprio corpo do artista nas obras em questão? Logo, assumimos o tema surgido ao acaso como a crise a ser vivenciada enquanto grupo de curadores.

“Caminhando”, esse gerúndio tão nosso (texto coletivo do grupo)

O encontro com a obra de Lygia Clark nos chegou pelo texto “Afinal, o que há por trás da coisa corporal?”, de Suely Rolnik, cuja leitura foi fundamental para a construção de certas questões que começavam a nos implicar neste percurso de investigação. Após algumas visitas ao acervo do Centro Cultural Banco do Nordeste, começamos a perceber que a relação comum entre a maioria das obras que nos mobilizavam era, sobretudo, um relação corporal. O corpo sempre presente como problema, dispositivo, suporte, materialidade, imagem, ausência, limite, convite. Corpo que convoca outros corpos.

De alguma forma, todas as obras aqui expostas contêm, insinuam, indicam ou convidam um corpo. Em muitas, o corpo do próprio artista se faz presente. Em outras, apenas uma ideia de biografia e intimidade. Noutras, um convite ao corpo para uma experiência. Essa reunião, inicialmente aleatória, acaba por se tornar uma rede onde nos sentimos provocados a desvendar.

A nossa questão aqui, no entanto, transborda a querela corporal. E a relação que estabelecemos com Lygia Clark – de quem pegamos emprestado o nome desta exposição – se atalha ainda por outros caminhos.

Em 1964, pensando sobre um dos seus mais importantes trabalhos, Lygia Clark escreveu: “O Caminhando tem todas as possibilidades ligadas à ação em si: ele permite a escolha, o imprevisível, a transformação de uma virtualidade em um empreendimento concreto”. Aqui, tomamos para nós o gerúndio de Lygia. Por entender que o gesto de criação é, sobretudo, um gesto contínuo, ininterrupto, intermitente. E a curadoria, uma operação sensível, de cuidados. Gesto de invenção de um lugar. A curadoria com um Caminhando. Corte longitudinal no real que se enlaça em tramas. Ofício de escolher ao passo em que assume o risco do imprevisível. Tarefa mesmo de “transformar uma virtualidade em um empreendimento concreto”. E não por isso menos flexível.

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