Por Jacqueline Santos
No último sábado (3), dois atletas de Juazeiro participaram do XII Campeonato Sergipano de Fisiculturismo, em Aracaju, um campeonato amador organizado pela Federação Brasileira de Musculação, através da NABBA Sergipe. Aécio Pinheiro e João Braga concorreram nas categorias estreantes e as categorias definidas pelas suas alturas.
Ao todo, a equipe, formada por Aécio, João e Tarso Carvalho, representando o acompanhamento físico da Corpus Life, trouxeram para Juazeiro três prêmios: Aécio ficou em 6º lugar na categoria Estreante e 3º lugar na sua categoria específica. Já João conquistou os primeiros lugares das duas categorias que disputou, a estreante e a específica.
Para chegar ao campeonato, os atletas passaram por uma rotina pesada de treinos com foco na alimentação, que durou cerca de 16 semanas. “Nós passamos todo esse tempo com preocupações pessoais e com obrigações a serem cumpridas para que conseguíssemos chegar ao nosso objetivo. Fazíamos 12 refeições por dia, além do suplemento, treino e estudos. É um esporte que a gente carrega 24 horas por dia, é um esforço muito grande. Na verdade nos preparamos a vida toda para nos apresentar por poucos minutos”, disse João Braga.
Segundo os atletas, a última semana foi crucial para chegar bem na competição. Muito treino, alimentação balanceada, 36 horas antes da competição sem beber água, foram apenas alguns dos esforços realizados. “Antes da última semana a gente fez uma avaliação para perceber o que podia ser melhorado. Dois dias antes, voltamos a fazer uma avaliação visual, para definir a técnica que seria utilizada para a pesagem e avaliando o percentual de gordura de forma minuciosa direcionada à competição”, explicou o educador físico Tarso Carvalho.
De acordo com a equipe a principal dificuldade encontrada para que um atleta se dedique ao esporte e participe de competições, além da dificuldade física e psicológica, é a financeira. Nesse caso, os atletas alegam que só é possível chegar longe através de patrocínio. “A nossa luta, além de fazer com que o esporte seja reconhecido e admirado na região, é despertar dos empresários o interesse em nos ajudar e investir na gente. O esporte tem tudo para crescer aqui, só falta quem acredite nele”, ressaltou Aécio. Para Aécio, a participação no campeonato só foi possível graças a ajuda financeira que recebeu de amigos.
A superação é um fator importante para um bom desempenho no mundo do fisiculturismo. Segundo João Braga a principal motivação foi o apoio da família e amigos. “Todo dia a gente pensava em desistir, meu principal porto seguro foi minha esposa”, confessou.
A próxima meta dos atletas é continuar a preparação física para alcançar o Campeonato Brasileiro de Fisiculturismo. “O nosso objetivo agora é participar do mesmo campeonato ano que vem e ganhar. Queremos conseguir classificação para o Brasileiro. Nós temos mais um ano para isso”, explicou Aécio.
Discriminação
O fisiculturismo trata-se de um esporte que busca, acima de tudo, um equilíbrio entre mente e corpo para o treinamento e desenvolvimento de músculos. Porém, mesmo precisando ter conhecimento para aderir a essa filosofia de vida, alguns atletas sofrem preconceito de pessoas que não entendem a proposta do esporte.
“Muita gente treina com pesos, mas nem todos vivem a filosofia do bodybuilding, que é dar algo mais para o treinamento e para a vida. É ir além das suas capacidades, sentir, realmente, o esporte e trazer para a vida o que você aprende e repete na academia e que pode ser usado no trabalho ou para se relacionar com sua família. Algumas pessoas dizem que o cara musculoso não tem nada na cabeça, para essas pessoas eu respondo chamando para viver o que esses atletas vivem”, frisou Tarso.
É o que acontece com Aécio e João. Segundo os fisiculturistas, em Juazeiro esse esporte ainda é muito discriminado. “As pessoas nos olham como se a gente fosse os “pitbull” da rua, mal encarados e que não estudam. Na realidade o bodybuilding tem muita ciência e muito estudo por trás de levantar peso”, afirmou João.
“O que me chamou a atenção nesse esporte foi a capacidade de autodomínio que as pessoas têm do corpo. Algumas pessoas vêem que a gente tem conhecimento e sabe que a resposta virá sem grosseria, mas com base. O ruim é realmente os olhares de estranhamento e críticas de algumas pessoas. Espero que isso mude, um dia”, finalizou Aécio Pinheiro.






