Cerca de 430 funcionários já foram demitidos do Hospital Espanhol até agora, por conta de um projeto de restauração interna no quadro da empresa. As demissões, iniciadas em junho, têm como objetivo reparar os resquícios da crise vivida pela unidade de saúde desde 2013, segundo o superintendente interino, Claudio Imperial.
As dispensas atingem as sedes de Salvador e Nazaré, a 77 km da capital. Até o momento, 230 funcionários tiveram a demissão decretada diretamente. Cem entraram com ação no Tribunal Regional do Trabalho, requerendo demissão indireta, em Salvador.
Outros 100 profissionais foram liberados da sede do interior. De acordo com o superintendente interino, esses já foram absorvidos por outras empresas da região, o que não aconteceu na capital.
O setor mais atingido pelas demissões diretas é o de base. Técnicos de enfermagem, enfermeiros, auxiliares em serviços gerais e terceirizados têm sido os principais cargos mais afetados.
De acordo com Francisco Magalhães, presidente do Sindicato dos Médicos do Estado da Bahia (Sindimed-BA), quem recorreu à Justiça pela demissão indireta foram os médicos, por conta do atraso nos pagamentos.
“Os médicos já entraram em acordo com o Hospital Espanhol. A primeira das cinco parcelas da dívida será contabilizada no dia 20 de julho”, afirma Magalhães.
Claudio Imperial justifica as demissões como sendo parte de um conjunto de ações para restabelecer o equilíbrio no funcionamento da empresa. “Nosso quadro excedia o número de empregados indicado para um ambiente hospitalar. Precisamos reduzir custos”, diz.
A reportagem de A TARDE tentou entrar em contato com o Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do Estado da Bahia (Sindsaúde-BA), responsável pelo setor de base, mas não obteve êxito.
Atendimento
Apesar do alto número de demissões, o superintendente garante que o atendimento ao público não está sofrendo nenhuma alteração.
“Nossa emergência continua funcionando 24 horas. Novos equipamentos de hemodiálise também estão previstos para chegar esta semana, a fim de melhorar o atendimento aos pacientes”, afirma.
Usuária dos serviços prestados pelo hospital, a professora Maria dos Anjos, 48, diz que, aos poucos, os serviços da emergência têm melhorado: “Hoje, não precisei esperar muito pela consulta. Quando vim da última vez, no final do ano passado, esperei horas para fazer um exame. O Espanhol é um hospital de tradição na cidade, espero que tudo volte ao normal”.
A Tarde






