Situada em um ponto estratégico, em uma esquina, bem em frente ao monumento da Cruz Caída, na entrada da Praça da Sé\Pelourinho, a loja Katuka Africanidades não tem o que comemorar com a Copa do Mundo. Mesmo estando em um ponto de grande visibilidade, o fluxo intenso de turistas não aumentou as vendas no local. Pelo contrário. Segundo um dos sócios da loja, o designer Renato Carneiro, 43 anos, com o São João muitas pessoas viajam para o interior e não foram ao Pelourinho no horário comercial. Além isso, o fechamento do comércio e órgãos públicos nos dias dos jogos do Brasil reduz o fluxo de pessoas no local.
“Para nós o impacto tem sido negativo. Muitos dos turistas só se deslocam até o Pelourinho para beber, comer e procurar prostitutas ”diz ele, criticando a morosidade de obras na Praça Municipal que só foram concluídas na véspera do início da Copa do Mundo. De sua loja Carneiro tem assistido, diariamente, assaltos aos turistas, uma mostra da falta de policiamento naquele local. Outras rotinas da Praça da Sé, como a prostituição, se mantém nesse período de Copa do Mundo.
Carneiro também critica a falta de participação, de diálogo entre os órgãos responsáveis pela organização da Copa do Mundo e empresários do local. “Nunca fomos chamados para dialogar, dar sugestões”, disse ele, relatando alguns incômodos nos dias de jogos do Brasil. “Como estamos localizados em uma esquina, as pessoas usam nossas vitrines e portas como banheiro público. Quando chegamos na manhã do outro dia, passamos um bom tempo limpando as instalações”, lamentou.
Para o empresário houve uma estratégia para se criar uma ilusão de que os problemas da cidade estariam resolvidos com a Copa. “Mas não é verdade. Basta vermos o Metrô, as obras de fachada, os problemas de mobilidade”, alfineta, comentando que algumas intervenções como a melhoria da iluminação do Pelourinho para se tornarem legado vão precisar de manutenção. Ele ainda comentou sobre o perfil de alguns grupos de turistas que passaram pelo local. “Os holandeses são leves, os alemães mais pesados, barulhentos e mais agressivos. Já os franceses são mais tranqüilos”.
Equipe Chuteiras Fora de Foco






