O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, negou nesta sexta-feira (10), “peremptoriamente”, estar por trás dos vazamentos dos pedidos de prisão do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), do ex-presidente da República José Sarney (PMDB-AP), do senador Romero Jucá (PMDB-RR) e do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Em encontro com procuradores eleitorais em Brasília, o chefe do Ministério Público afirmou que empregará todos os esforços à disposição para “descobrir e punir” quem cometeu o vazamento, que ele classificou de “crime”.
Os pedidos de prisão, apresentados pela Procuradoria Geral da República (PGR) na semana passada ao ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), vieram à tona na última terça-feira (7) por meio de reportagens do jornal “O Globo” e da TV Globo.
“Afirmo, senhores, peremptoriamente, o vazamento não foi da PGR. Aliás, envidarei todos os esforços que estiverem ao meu alcance para descobrir e punir quem cometeu esse crime. Como hipótese investigativa inicial, vale a pergunta: a quem esse vazamento beneficiou? Ao Ministério Público não foi”, enfatizou o procurador-geral da República no discurso aos procuradores eleitorais.
“Não se pode brincar com esse tipo de coisa. ‘Ah, é processo oculto’, pede-se sigilo, mas divulga-se para a imprensa que tem um processo aqui, um inquérito, isso é algo grave. Não se pode cometer esse tipo de… isso é uma brincadeira com o Supremo”, complementou.
Rodrigo Janot disse ser uma “ideia estapafúrdia” e um “absurdo” supor que a divulgação dos pedidos de prisão poderia pressionar o Supremo a decidir sobre as prisões.
O chefe do Ministério Público pediu a prisão dos quatro peemedebistas por suspeita de eles estarem tentando obstruir as investigações da Operação Lava Jato. No caso de Sarney, por causa da idade, ele ficaria em prisão domiciliar monitorado por tornozeleira eletrônica.
Segundo a TV Globo, a PGR alegou que a decisão do Supremo de afastar Eduardo Cunha da presidência da Câmara e do mandato de deputado federal não surtiu efeito e o parlamentar teria continuado interferindo no comando da Casa. Por isso, o procurador-geral solicitou a prisão do peemedebista.




