Ksar Ferreira Santos, você sabe quem é? E Kekê de Bela? Ah, este? Todos nós sabemos de quem se trata. Os dois são a mesma pessoa. 40 anos, casado, 7º de 10 irmãos, nascido em Juazeiro, criado em Curaçá. Pintor.
Duo, entre o preto que nunca é totalmente preto e o vermelho, descambando para o rosa, de choque a carinho, seus quadros repisam “o grito na noite”. Seja retratando aquela senhora cativante ou o roqueiro Humberto Gessinger; está lá o grito sufocado de quem conheceu todas as necessidades da vida, tropeçou vez por outra na fome e dividiu cama, quarto, sala e cozinha com mais nove irmãos e outros três achegados.
Bela de Calango era a mãe durona que lhe deu régua e compasso e vez por outra uns bons contrapassos. A mão mágica e o olho míope, a mão aberta e a alegria que vê em tudo, essa só de Kekê.
Seus quadros estão além da reprodução da foto. O vermelho batido, sem nuances e o choque do preto, alternando-se em sutis tonalidades das duas cores, sem nunca se misturar ao original. Kekê quer e insiste em “fazer da felicidade uma arte para se viver”, mas, seus quadros apontam sempre, mesmo entre sorrisos pintados, para a falta que faz o que nunca se terá.
Pois é. Kekê vai estar a partir de hoje (15) e por todo o restante deste mês de março no Juá Garden Shopping.
A renda (todos esperam que haja em abundância) será boa parte destinada ao Sanatório Nossa Senhora de Fátima. Os quadros, na maioria, porque a exposição é plural, serão retratos de quem fez por Juazeiro e em Juazeiro e, é claro, não terão a unanimidade dos visitantes, mas ensejarão discussões e opiniões. É isso que Kekê quer.
Ascom






