Assim que as primeiras chamadas de Meu Pedacinho de Chão entraram no ar, foi possível notar a intenção da Globo em atrair o olhar do público para a nova trama das seis, que estreia hoje. Os cenários recheados de cores fortes, o figurino do elenco no estilo ‘conto de fadas’ e os bichos representados por bonecos são alguns dos elementos que colaboram para uma estética ousada, trazida pelo diretor Luiz Fernando Carvalho.
Em tempos de difusão da internet e de muitas distrações para o telespectador, atingir as expectativas de audiência em todas as faixas tem sido uma meta frustrante para a emissora carioca. Principalmente no horário das 18h, no qual a última produção bem sucedida foi Cordel Encantado (2011). Talvez por isso a Globo não tenha receio em apostar em uma novela tão heterodoxa. Pelo menos, autor e diretor estão confiantes nesta empreitada. E juram não ligar para cobranças de audiência.
“A preocupação com a audiência eu sempre tenho em algum canto, mas, se for pensar nisso, não gravo”, admite Luiz Fernando. “A novela tem uma liberdade estética bonita. É libertador para nós, atores. Estamos fazendo tudo com muito carinho para que o publico se renove. Tenho noção de que será 8 ou 80, mas tenho certeza que será 80”, aposta Juliana Paes, que vive Madame Catarina, esposa do Coronel Epaminondas (Osmar Prado).
“Mantive o título e o nome de alguns personagens, mas a história, as questões tratadas e, especialmente, a forma de contá-la são diferentes”, diz Benedito Ruy Barbosa, que também assinou a versão original da trama, de 1971.
História
O enredo, que se passa na fictícia Vila Santa Fé, se desenrola através do olhar de duas crianças, Serelepe (Tomás Sampaio) e Pituca (Geytsa Garcia). Por isso, a novela carrega uma atmosfera lúdica e infantil. Mas, traz questões do universo adulto.
O principal conflito gira em torno do coronel Epaminondas e de Pedro Falcão (Rodrigo Lombardi). Enquanto o primeiro é contra o progresso, o segundo contribui para a instalação da primeira escola da região. Com o colégio, chega ao vilarejo a professora Juliana (Bruna Linzmeyer), o que aumenta ainda mais o ódio do coronel.
No mesmo dia, Ferdinando (Johnny Massaro), filho de Epaminondas, retorna à Vila Santa Fé depois de um período estudando fora. E se encanta justamente por Juliana.
Além dele, o capanga do coronel, Zelão (Irandhir Santos), também se apaixona pela moça depois de não conseguir cumprir a missão que recebeu de botar fogo na escola. O médico Renato (Bruno Fagundes), filho de Antonio Fagundes e que faz sua estreia na televisão), é outro que se rende aos encantos da professora.
“A personagem da Bruna centraliza as atenções desses três rapazes. É claro que essa disputa gera uma forte tensão entre eles. Nossa preparação foi bem voltada para essa disputa. Passamos muitas horas ensaiando, construindo nossos personagens e criando a afinidade certa para as cenas”, conta Irandhir, que faz sua estreia em novelas.
Sem nenhum compromisso com a realidade, a cidade cenográfica da trama é construída em uma área de 7 mil m² e possui 28 prédios revestidos por latas. A ideia é fazer referência ao material utilizado em brinquedos do século XIX. “Vila Santa Fé é um lugar que contém todos os lugares da imaginação de Serelepe. A cidade é um brinquedo com outros brinquedos dentro”, diz o cenógrafo Keller Veiga.
Antonio Fagundes, Cintia Dicker, Flávio Bauraqui, Emiliano Queiroz, Ricardo Blat, Inês Peixoto, Paula Barbosa, Dani Ornellas e Teuda Bara são alguns dos outros nomes do enxuto elenco: 20 atores. A história também será curta, com apenas 100 capítulos.
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