O nigeriano Mubarak Bala foi mantido sob medicações em um hospício por se declarar publicamente ateu. A medida foi tomada por sua família que, segundo a União Internacional Humanista e Ética (IHEU, na sigla em inglês), temia por sua segurança.
O nigeriano se declarou abertamente ateu, em uma região fortemente islâmica do país. Durante sua internação, foi publicado em seu Facebook, como se fosse de sua autoria, textos indicando que era muçulmano de novo.
Mubarak passou 18 dias preso no Hospital Aminu Kano Teaching, na cidade de Kano, contra a sua vontade, sob falsas alegações da família, que teria afirmado que ele estava alucinando e acreditava ser um “governante”.
“A maior evidência da minha doença mental foram grandes blasfêmias e a negação da ‘história’ de Adão, as quais o médico disse que era uma mudança de personalidade, já que todo mundo precisa de um Deus, que até no Japão eles têm um Deus. E meu irmão ainda disse que todos os ateístas que vejo já tiveram uma doença mental em algum momento da vida”, escreveu o nigeriano em mídias sociais e emails.
Apesar de confiscarem seu celular, Mubarak conseguiu um smartphone escondido e mandou uma série de comunicados sobre sua situação através de emails e pela sua conta no Twitter e Facebook.
Ele conseguiu sair do hospício durante uma greve na instituição, que resultou na alta de vários pacientes.
Porém, o hospício não apresentou ao advogado do nigeriano nenhuma declaração do diagnóstico formal do paciente ou qualquer justificativa para mantê-lo internado contra sua vontade.
Mubarak publicou recentemente em seu Facebook um texto que afirmava que ele já havia se resolvido com a família e que não quer mais levar adiante o caso. “Decidi deixar para trás as coisas pelo bem da reconciliação. Não há mais nenhum problema entre mim e minha família e não tenho mais interesse em continuar com a intervenção que busquei antes”, afirmava no texto.






