O número de multas aplicadas pela Superintendência de Trânsito (Transalvador) nos dois primeiros meses deste ano apresentou uma queda de 11% na comparação com o mesmo período do ano passado. Foram 163.033 notificações de infrações de trânsito em janeiro e fevereiro de 2017, contra 145.158 em 2018 – uma redução de 17.875 casos flagrados pelo órgão.
Para o superintendente do órgão municipal, Fabrizzio Müller, a redução “confirma uma tendência já notada” no ano passado. Segundo dados da Transalvador, na comparação entre 2016 e 2017, foram registradas cerca de 100 mil multas a menos. Em 2016, foram 953.195 infrações notificadas contra 857.075 de 2017.
A Transalvador divulgou ainda que a redução verificada na comparação entre os dois bimestres de 2017 e 2018 indica um “comportamento de mais respeito às leis de trânsito por parte dos condutores soteropolitanos”.
“Existe, hoje, uma maior concentração do condutor. Ainda vemos infração, eu sei, mas já existe uma mudança na postura desse condutor, uma postura mais cuidadosa”, avaliou o superintendente Fabrizzio Müller.
A redução ele atribui a um “conjunto de fatores”. “Há um maior respeito em função de diversos fatores. Um deles é a fiscalização mais efetiva. Outro é resultado de campanhas educativas feitas em escolas, mídias sociais. A fiscalização é importante, mas não é a única”, acrescentou.
“A fiscalização, em algumas situações, parece que está ali somente para multar
Paloma Mimoso, advogada
Reduções
Ainda de acordo com dados da Transalvador, houve diminuição nas multas das cinco infrações mais registradas no primeiro bimestre de 2017 e 2018. Transitar em velocidade superior à máxima com aumento de até 20%, a campeã das infrações na capital baiana, apresentou redução de cerca de 5%. Caiu de 85.476 notificações para 81.545.
A segunda infração mais flagrada é transitar em faixa exclusiva para ônibus que caiu quase pela metade (47%), de 14.517 para 7.635. Avançar o sinal vermelho também diminuiu, de 10.569 registros para 7.051.
Houve redução ainda nas notificações por estacionar em local proibido pela sinalização (6.445 para 5.957) e transitar em velocidade superior à máxima permitida com mais de 20% de aumento e até 50% (4.853 para 4.417).
O trocador de óleo Joselito Santos, 42, disse que tem notado uma maior fiscalização na cidade. “Porém estão multando sem necessidade. Eles me deram uma multa porque meu filho ainda estava colocando o cinto, quando estávamos saindo do posto de gasolina. Eles não flexibilizam”, afirmou.
Para o motorista Maurício Bosque, 35, parte dos condutores que ele encontra diariamente nas ruas não tem respeitado as leis de trânsito e há “exagero” nas fiscalizações.
“Tem notificação que chega sem o porquê. Eles tinham que provar que a gente cometeu a infração e não o contrário. Hoje mesmo não pude deixar um cliente na rodoviária porque lá eles estão multando muito. Deveria haver um bom senso da parte deles”.
Já a advogada Paloma Mimoso, 36, achou que está ocorrendo mais respeito no trânsito. “Talvez isso seja impulsionado pela fiscalização. A questão do celular mesmo. Eu só uso parada. Mas a fiscalização, embora eu seja a favor, deveria ser mais moderada. Em algumas situações, parece que estão ali somente para multar”.
O superintendente Fabrizzio Müller afirmou que a fiscalização não tem sido identificada. Segundo ele, a ação permanece igual à realizada no ano passado.
“Tem notificação que chega sem o porquê. Tinham que provar nosso erro e não o contrário
Maurício Bosque, motorista
Indústria
Questionado sobre as críticas à fiscalização, Müller disse que, no ano passado, 25% da frota de Salvador foi multada; “75% não foram multados. Como posso falar em indústria de multas como comentam? E como posso falar em flexibilização se existe uma legislação que tem que ser observada e cumprida?”.
O dinheiro arrecadado com as multas fica, segundo ele, na própria Transalvador. “Eles servem para sinalização, ações de fiscalização e de campanha”.
Para o restante do ano, ele afirmou que a expectativa é que as infrações flagradas continuem sendo reduzidas. “As pessoas estão ficando cada vez mais conscientes e respeitando a legislação de trânsito”.
Para a especialista em mobilidade urbana e arquiteta Ariadne Moraes, a fiscalização faz com que as pessoas sintam no bolso, mas é uma medida paliativa. Ela defendeu um maior incentivo para o transporte coletivo do que o individual.
“É preciso mais conscientização do condutor e um incentivo público em outros modais e no transporte público. Fiscalizar não é a solução. É mais um meio de arrecadação. A punição tem que existir, mas não pode ser somente ela. É necessário investir em veículo de massa, com qualidade, investimento em ciclovia e no transporte público”, finalizou.






