Odebrecht pagou R$ 35 milhões ilícitos em um só dia, afirma delator

O ex-executivo da Odebrecht Fernando Migliaccio disse em depoimento ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), na última sexta-feira (10), que em apenas um dia a empreiteira distribuiu mais de R$ 35 milhões em dinheiro de propina e caixa dois para campanhas eleitorais.
O executivo não detalhou o dia nem o ano em que isso aconteceu. Migliaccio também não identificou para quem foi o dinheiro.
Ele disse apenas que o montante foi entregue em dinheiro vivo, pulverizado para várias pessoas.
O depoimento foi feito sob sigilo ao ministro Herman Benjamin.
Segundo informações obtidas pela Folha, o ex-executivo contou a história desses pagamentos para mostrar a dimensão do fluxo de dinheiro que passava pelo Setor de Operações Estruturadas, conhecido como uma espécie de “departamento de propina” da empreiteira.
O ex-executivo era um dos responsáveis por operar contas da empreiteira no exterior usadas para pagamento de propina e caixa dois, tanto de políticos como de executivos que queriam receber bônus fora do país.
Entre os suspeitos de receber os pagamentos, estão réus já condenados, como os ex-executivos da Petrobras Paulo Roberto Costa e Pedro Barusco.
Os investigadores desconfiam que ele tivesse uma atuação “informal” na empreiteira, embora os documentos o apontem como funcionário contratado desde 1998 –um dos cargos foi o de “diretor financeiro”.
Migliaccio chegou a ser preso na Suíça por conta da Lava Jato. Após a prisão, fechou acordo de delação premiada separado dos outros 77 delatores da empreiteira.
Por conta disso, houve constrangimento quando ele se encontrou com os outros delatores durante o depoimento no TSE.
O depoimento foi dado no âmbito do processo instaurado pelo TSE para julgar a campanha para presidente de Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (PMDB), seu então companheiro de chapa, em 2014.
O processo poderá, em tese, resultar na cassação do mandato de Temer.

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