Pai de menino morto em carro diz que chorou ao ver imagens de motorista entrando em salão: ‘Segunda morte’

O pai do pequeno Gabriel Martins de Oliveira Alves da Silva, de 2 anos, morto ao ser deixado no carro pela motorista que deveria tê-lo levado à creche, disse que chorou ao ver as imagens, divulgadas nesta terça-feira, da acusada entrando num salão de beleza para fazer as unhas. Segundo o montador de elevadores Flávio Alves Silva, de 34 anos, aquele momento “foi como uma segunda morte”. O caso ocorreu na última sexta-feira, no Jardim América, na Zona Norte do Rio.

– Ontem, o que restava de esperança de que ela houvesse realmente desmaiado foi embora. Até então a gente queria acreditar na história dela. Mas vê-la entrando naquele salão, enquanto meu filho morria no carro, foi horrível. Agora, só queremos que ela seja presa e pague pelo que fez – disse ele.

O pequeno Gabriel
O pequeno Gabriel Foto: Fabiano Rocha / Extra

Segundo Flávio, ele a esposa, Karla Martins, irão à 27ª DP (Vicente de Carvalho), nesta quarta-feira, com um advogado. O casal quer conversar com o delegado responsável pela investigação, Felipe Curi, e ver se há possibilidade de Claudia Vidal da Silva ser presa:

– Não é justo que a gente não tenha Natal, que a gente passe essa data chorando por estar sem o Gabriel, e ela ficar em casa com as três filhas. Só não é justo. Não pode uma coisa dessas.

Flávio disse ainda ter vontade de ficar frente a frente com Claudia, para que ela explique como pode esquecer o menino no carro. De acordo com o montador de elevadores, um colega seu viu a motorista numa missa, no domingo, dois dias após a morte de Gabriel.

– Ele disse que ela parecia estar muito triste, que chorava muito – contou.

O pai afirmou ainda que a família nunca acreditou na versão da mulher, de que passara mais de uma hora desmaiada e quando acordou Gabriel já estava passando mal:

– O carro dela foi visto em frente a uma academia. Por isso, acreditávamos que ela tivesse ido à academia. Mas agora faz todo o sentido: o salão fica perto da academia. Além disso, quero saber por que ela não levou meu filho ao posto de saúde que há do outro lado da rua. Antes, ela foi à casa de uma amiga, para chamar companhia, e só então o levou a um hospital.

Em seu perfil no Facebook, Karla escreveu que quer justiça para a morte do filho, e não vingança. Ela fez, ainda, um agradecimento pelo apoio que tem recebido.

O delegado Felipe Curi, titular da 27ª DP, informou que as imagens e depoimentos de testemunhas comprovaram que Claudia mentiu e que ela deixou o menino intencionalmente no carro. Segundo ele, a hipótese de esquecimento está descartada e, por isso, a motorista responderá por abandono de incapaz, agravado pelo fato de o menino ter morrido – a pena pode chegar a 12 anos.

– Vamos chamar a Claudia para um novo depoimento e ver se ela dará uma nova versão. Ela pode, também, ficar em silêncio. Mas o importante é que ela venha e que, com isso, possamos fechar a investigação – disse ele.

Manicure e responsável pelo salão confirmam atendimento

Gabriel morreu na sexta-feira, após ficar cerca de duas horas no carro que deveria levá-lo à creche. Na ocasião, Cláudia, de 33 anos, havia alegado à polícia que teve um mal súbito e desmaiou e só percebeu o estado do menino quando tinha recuperado a consciência. Durante a investigação, agentes da 27ª DP refizeram o trajeto feito pela motorista.

Além disso, imagens de câmeras de segurança foram utilizadas para que os investigadores chegassem à conclusão de que Cláudia não disse a verdade e que deixou a “criança no carro intencionalmente sob o sol”. A manicure que fez a unha da suspeita e a responsável pelo salão confirmaram à polícia que a mulher tinha hora marcada para aquele dia.

A polícia já tem a agenda que mostra o horário de Claudia marcado e o valor pago por ela pelo atendimento: R$ 55. O delegado aguarda os resultados dos laudos da perícia. O menino Gabriel foi enterrado no último domingo, no Cemitério de Irajá, Zona Norte do Rio.

‘Entendo a dor deles’

A dona do salão no Jardim América onde Claudia fez as unhas disse, nesta quarta-feira, que fez “tudo o que podia para ajudar nas investigações”. A mulher, que não quis se identificar, alegou que só soube pela imprensa da morte de Gabriel e, nesta terça, passou o dia prestando depoimento e apresentou todas as provas que a polícia pediu.

– O carro não estava parado aqui na frente. Estava mais adiante. Não tinha como sabermos que havia uma criança lá dentro. A Claudia estava normal, não parecia nervosa nem nada. Ela veio, fez a unha e saiu – contou.

A mulher disse estar assustada com a repercussão do caso e teme que os pais de Gabriel a responsabilizem por qualquer coisa:

– Eu estou disposta a esclarecer o que eu vi, a apresentar os horários dela, como já fiz. Quero que a mãe (do menino) fique ciente que estou tentando ajudar. Fiz o que pude. Fui lá (na delegacia) e falei. Entendo a dor deles. Também sou mãe.

A dona do salão afirmou que Claudia não era cliente há muito tempo.

Fonte: Jornal Extra

 

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