O governo está cumprindo de forma organizada e sistemática o roteiro para assegurar todas as condições para a reeleição da presidente Dilma Rousseff. Primeiro, foi a retomada das conversas com os partidos que foram “faxinados” no primeiro ano de mandato, como o PR e PDT que voltaram aos mesmos postos de onde foram tirados. Agora, foi a aprovação do projeto Edinho Araújo (PMDB-SP), que inibe a criação de novos partidos ao impedir que as novas legendas tenham acesso à maior fatia do fundo partidário e do tempo de televisão para a propaganda eleitoral. O próximo passo será a montagem de palanques estaduais fortes, tentando sufocar os adversários.
O que valeu para Gilberto Kassab no ano passado não vai valer mais. O PSD teve ajuda para cumprir as normas legais e obter registro e, ainda, recebeu sua fatia do fundo partidário e garantiu tempo de televisão. Naquele momento, o PSD surgia como uma alternativa para quem estava na oposição e queria se aproximar do Palácio do Planalto. Agora, a situação é diferente. A Mobilização Democrática (MD), que surge da fusão do PPS com o PMN, é uma legenda de oposição – e se aproxima de Eduardo Campos que prepara sua candidatura ao Palácio do Planalto, como adversário de Dilma. O mesmo se dá com a Rede de Sustentabilidade, de Marina Silva, que também pretende andar em rota própria e não gravitar em torno do Palácio do Planalto.
– Agora, os novos partidos são de oposição – disse Roberto Freire, presidente da MD. Por isso, disse ele, o governo teria estimulado a aprovação rápida do projeto mudando as regras para os partidos.
Freire garante que as novas regras aprovadas pelo Congresso não se aplicarão à Mobilização Democrática (MD). Isso porque este novo partido foi criado hoje pela fusão do PPS com o PMN, portanto, antes da aprovação do projeto Edinho Araújo. Na manhã desta quinta-feira, a MD será registrada em cartório, como uma nova pessoa jurídica. A MD terá o número 33. Freire não esconde que o novo partido tenta se aproximar de Eduardo Campos e sonha em ter José Serra em seus quadros.
Enquanto celebra a aprovação do projeto que vai inibir a criação de novos partidos, Michel Temer coordena a montagem de palanques nos Estados. De preferência unindo PMDB e PT. Em alguns lugares, com o PMDB na cabeça e o PT de vice; noutros a situação se inverte e o PT vai para a cabeça da chapa e o PMDB para a vice. Em São Paulo, por exemplo, o PT ainda não escolheu o candidato. Mas os dois partidos já definiram que o PT comanda a chapa. Em Minas, o PT larga na frente, mas o PMDB trabalha em campo novo: a filiação de Josué Alencar, filho do ex-vice-presidente José Alencar. Ele pode ser candidato a governador (caso Fernando Pimentel fique no governo), pode ser o vice ou candidato ao Senado. Em Goiás, o caminho foi aberto. O PMDB filiou José Batista Junior, do grupo JBS, que estava no PSB. Ele também pode ser candidato ao governo com o PT na vice.
E assim, PT e PMDB seguem cada vez mais unidos com os olhos voltados para 2014.
por: Cristiana Lôbo, Jornalista, acompanha de perto os bastidores do governo e a política brasileira. Comentarista do “Jornal das Dez”, da Globo News.






