A avaliação é do cientista político Fernando Schuler, professor do Insper, que foi entrevistado pela Rádio Bandeirantes. Na sondagem, feita pela CNT (Confederação Nacional dos Transportes) e o instituto MDA, 28% dos brasileiros reprovam o governo de Michel Temer e 11,3% aprovam – ambos os índices são menores dos que os dois citados no primeiro parágrafo, que, se somados, mostram mais de 60% com um postura neutra em relação ao peemedebista.
“A pesquisa reflete o óbvio: primeiro um desconhecimento grande [em relação a Temer]. Embora ele tenha sido eleito pela chapa [de Dilma], sempre foi uma figura parlamentar, de bastidores”, explica o especialista.
Schuler afirma que “governo está atado” e já devia ter feito alguma medida saneadora em relação aos próprios ministros suspeitos de corrupção, cujo caso mais claro é do ministro Henrique Alves, do Turismo, que é formalmente investigado pela Lava Jato.
Como o resultado do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff (PT) no Senado ainda é incerto – a votação do processo deve ocorrer no início de agosto -, o cientista político diz que o governo Temer não se arrisca a mandar para o congresso medidas de impacto polêmico, como a reforma da Previdência ou um ajuste fiscal mais duro, com uma eventual volta da CPMF.
“O governo não tem coragem, ou não tem força, para fazer o que deveria ser feito”, critica.
Por isso, o cientista político diz que uma “sombra” paira sobre o governo Temer, e que esta imobilidade, que se reflete sobre a opinião da população, deve permanecer pelos próximos três meses. “A pesquisa reflete exatamente isso: a sociedade está em compasso de espera”, conclui.





