A Procuradoria da República cobra R$ 53.540.145,86 do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e de outros oito investigados em alegações finais da ação penal da Operação Passe Livre, desdobramento da Lava Jato. Todos são réus no processo sobre o empréstimo fraudulento de R$ 12 milhões do Banco Schahin a Bumlai, que teria beneficiado o PT. A denúncia do Ministério Público Federal aponta que, em troca do socorro prestado ao PT, o Grupo Schahin teria sido contemplado com um contrato sem licitação de US$ 1,6 bilhão para operar o navio-sonda Vitória 10000, em 2009.
A Procuradoria pede a condenação dos nove investigados. Nas alegações finais, os procuradores pediram ainda um ‘valor mínimo para reparação do dano’ de R$ 53,5 milhões. Segundo a força-tarefa, o recurso seria correspondente ao valor atualizado pelos juros da quitação do empréstimo de Bumlai ‘oferecido como contrapartida pelo contrato de operação do navio-sonda Vitoria 10.000, acrescido do montante de propina oferecida ao ex-gerente da Petrobrás ( US$ 1 milhão). Bumlai foi preso preventivamente na Operação Passe Livre, em 24 de novembro de 2015.
Após descobrir um câncer, o pecuarista recebeu autorização para se tratar em um hospital. O pecuarista é acusado por lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e corrupção. Na mesma ação, também são acusados Salim Schahin, Milton Schahin e Fernando Schahin – todos por corrupção ativa -, os três ligados ao banco Schahin, os ex-diretores da área Internacional da Petrobrás Nestor Cerveró e Jorge Luiz Zelada – estes por corrupção passiva -, o operador de propinas Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto – estes dois também por corrupção passiva – e o filho de Bumlai, Mauricio Bumlai, indiciado por lavagem de dinheiro.
Os crimes de lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta de instituição financeira também são imputados ao empresário Salim Schahin e ao filho de José Carlos Bumlai. O Ministério Público Federal pediu absolvição de Maurício Bumlai do crime de corrupção. Também pede a ‘suspensão do feito’ contra Eduardo Musa, pela delação premiada por ele realizada.
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