Apesar de pertencerem a partidos ideologicamente diferentes, os três principais candidatos ao governo concordam em um ponto: a guerra fiscal entre os estados precisa acabar. Rui Costa (PT), Paulo Souto (DEM) e Lídice da Mata (PSB) defenderam o fim desse modelo de atração de indústrias, ontem, durante o Encontro dos Setores Produtivos com Candidatos ao Governo do Estado, organizado em parceria pelas três grandes entidades do setor produtivo na Bahia: as federações das Indústrias (Fieb), do Comércio e Serviços (Fecomércio) e da Agricultura e Pecuária (Faeb).
Para o petista, o hábito de usar as isenções fiscais para convencer empresas a se instalarem no estado “está com os dias contados”. Para substituir esta prática, Rui Costa sugere fortalecer a logística e a infraestrutura, para diminuir custos de instalação das empresas.
“Acho que esses devem ser os pilares para atração de novos investimentos, assim como buscar adensar as cadeias produtivas do estado, a exemplo do que fizemos com a indústria (de energia) eólica. Hoje, está toda ela verticalizada, com produção das torres, das pás, dos geradores, aqui no estado”, disse.
“Precisamos acabar com a guerra fiscal, embora ela tenha sido, até então, um importante instrumento para o movimento da economia nordestina, e nós não podemos negá-la. Mas diante dos novos desafios da economia brasileira, que precisa de um desenvolvimento integrado, é preciso repensar esta política”, salientou Lídice.
Para se tornar atrativo sem as isenções, a socialista propôs melhorar as malhas rodoviária e aeroviária e a “interiorização do turismo e da economia”. “Enxergamos o turismo como um vetor estratégico do desenvolvimento”, disse. Segundo a candidata, 370 municípios baianos respondem por apenas 15% da produção do estado.
O democrata Paulo Souto também afirmou que a estratégia de isenções “está se exaurindo”, mas minimizou a importância do modelo. “Eu não tenho tanto receio com relação a isso, porque as isenções foram tão generalizadas, e elas existiam para praticamente todos os estados que, de alguns anos pra cá, ela é só mais um fator de competitividade. São outros os fatores que têm poder decisivo”, opinou.
Ao elencar esses fatores, Souto defendeu seu legado no Palácio de Ondina. “Quando nós trouxemos duas indústrias importantes de pneus, o que decidiu foi a confiança no governo, a existência de centros de tecnologia, e o estado ter se responsabilizado pela construção de um porto. O fim da guerra fiscal é uma coisa significativa, mas de um tempo pra cá, estão valendo outros fatores”, concluiu.
Críticas
Candidatos de oposição ao atual governo, Souto e Lídice veem a infraestrutura logística do estado como um dificultador para a atração de indústrias. “Temos 14 distritos industriais. Tirando o Polo de Camaçari e o Centro Industrial de Aratu, temos uma distribuição desses polos em todo o conjunto do estado. Só que a maioria não tem condições de funcionamento. Falta infraestrutura, acesso, falta vigor”, criticou Lídice.
“São infraestruturas que dizem respeito ao governo federal: portos, ferrovias, os grandes eixos federais, que têm que entrar como uma grande prioridade na focalização que o governo do estado tem que fazer em relação ao governo federal”, disse Souto.
Já Rui Costa garantiu priorizar investimentos em projetos de infraestrutura e usou, como exemplo, as obras de mobilidade urbana realizadas em Salvador pelo governo.
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