A história de Juazeiro contada através das ilustrações do artista plástico Parlim e da historiadora Bebela
Por Caio Alves
Uma coisa importante é conhecer a história da nossa cidade. E por quê? São tantas razões que não caberiam num só livro, e uma das razões, a que resumiriam todas elas, é esta: você não conhece a sua cidade, como irá amá-la, protegê-la, então vamos lá, atente bem: Juazeiro a nossa cidade surgiu no fim do século XVII para o início do século XVIII. Mas no ano de 1593 um bravo bandeirante percorreu a nossa região em busca de minas de prata. Esse bandeirante contou ao senhor Garcia D’Ávila, o terceiro senhor da casa da torre, dono da terra desde Itapuã até o Vale do São Francisco, e muito mais, que tudo por aqui era maravilhoso. Água em abundância, belos mananciais, peixes, frutos, e assim ao saber de tantas maravilhas o senhor Garcia D’Ávila motivado preparou todo um esquema para vir explorar tão grande e belo paraíso.
No início do século XVII foram implantados às margens do Rio São Francisco os primeiros currais, onde Sr. Garcia D’Ávila deixava em cada um deles um casal de escravos, dez novilhas, um casal de cães, galinhas, galos, porcos, cavalos e sementes para lavoura. Por isso o Rio São Francisco é chamado de Rio dos Currais. Com a implantação dos currais e as constantes andanças da gente do Sr. Garcia D’Ávila surgiu uma estrada que conduzia à margem direita do Rio São Francisco facilitando a travessia do majestoso rio, essa estrada, esse lugar e imediação receberam o nome de passagem do Juazeiro, sabe por quê? Porque naquela passagem e em toda parte havia uma enorme quantidade de uma árvore muito bela, frondosa e sempre verdejante, e que todos a chamavam: juazeiro.
Então a cidade nasceu em razão da passagem que se transformou no povoado chamado Passagem do Juazeiro, que cresceu e parte dele recebeu o nome de Juazeiro Velho (próximo à Faculdade de Agronomia – bairro Horto Florestal, outros chamam bairro São Geraldo).
Cultura
Os Congos
No calendário católico 07 de outubro é dedicado à celebração de Nossa Senhora do Rosário, festa instituída pelo Papa Pio V em 1571, em homenagem à vitória dos cristãos na batalha naval de Lepanto, na qual os católicos, em meio a recitação do rosário, resistiram aos ataques dos turcos otomanos e venceram o combate. Em Juazeiro, no entanto, a homenagem festiva e cultural à santa acontece somente no último domingo de outubro com o cortejo do grupo de Congos, que mantém uma tradição quase centenária.
Penitentes
O grupo dos Disciplinadores é formado apenas de homens; com uma disciplina própria eles se cortam na região das costas, num ato de penitência pelas faltas cometidas; apresentam-se bem distantes dos olhares dos curiosos e, no momento em que estão em grupo tornam-se agressivos.
As Alimentadeiras de Almas é um grupo formado por homens, mulheres e crianças. Rezam pelas almas. Quando esses grupos saem visitam sete lugares que recebem o nome de estações. Durante todo o período da Quaresma, a partir da Quarta-feira de Cinzas, eles saem toda segunda, quarta e sexta. Na Semana Santa saem de segunda a sábado.
As Lendas
Vapor Fantasma
Entre as muitas coisas vista no rio, o Vapor Fantasma tem um destaque muito especial, pois ele apresentava-se com uma iluminação tão bonita, que dava a impressão de um imenso brilhante boiando sobre as águas barrentas do rio.
A história acontece de maneira bastante simples: às vezes, durante a noite, as pessoas, olhando para alguma parte do rio, avistam um vapor iluminado e a expectativa do seu apito e da chegada vai crescendo dentro de cada um, mas, de repente, a assombração desaparece e até hoje ninguém encontrou explicação para o fato.
Bicho do Chocalho
O “Bicho do Chocalho” aparecia na Rua Barão de Cotegipe. Dizem que ele tinha muito charme, era bem alto, usava calça e camisa de estoupa, cobria a cabeça com um chapéu de abas bem grandes, que era coberto com um pano branco. Aí ficavam presos os chocalhos.
No silêncio da noite e, naquela época, as noites eram silenciosas, ele ficava pra lá e pra cá na rua, assombrando com a zoada dos chocalhos e suas pisadas fortes os que dentro de suas casas tentavam dormir.
A Mulher de Sete Metros
Talvez tenha sido a “Mulher de Sete Metros” a assombração mais apavorante do passado.
Um jovem morador da Rua da Pimenta (atual Rua Francisco Martins Duarte) voltava sozinho de uma festa no bairro Atrás da Banca, e, como não tinha muita coragem, vinha correndo loucamente, pois a distância entre o local e sua casa era grande.
Ao chegar à Praça da Misericórdia, seus cabelos começaram a arrepiar: ali era uma zona perigosa, porque a “Mulher de Sete Metros” aparecia naquela praça. Foi inevitável o encontro; o vulto imenso, vestido de branco, passeava na área do jardim; tranquilamente, jamais alguém conseguiu ver-lhe o rosto.
O pobre jovem já não sabia mais o que estava acontecendo; correu, correu e, enfim, conseguiu acertar a porta de casa; foi dramático o encontro com a mãe; teve a desagradável surpresa de ver o filho caído aos seus pés; acorda os outros filhos que já estavam dormindo, ainda tremendo de medo, conta aos familiares, certamente, com uma dose muito grande de exagero, o que tinha visto na Praça da Misericórdia.
Serpente da Ilha do Fogo
Morava em Juazeiro uma moça muito bonita. Um dia, ela ficou sentada à margem do rio, contemplando-se numa imensa serpente e jogou-se nas águas em direção à Ilha do Fogo. As pessoas ficaram pasmadas diante do fato; correram a procura de um frade para contar-lhe o que tinham visto; este, também, mostrou-se confuso diante daquele acontecimento. Em companhia daquelas pessoas foi para a beira do rio e avistou a serpente, na ilha. Tomou uma canoa, munido de uma grossa corrente e foi para a ilha. Lá chegando, amarrou a cabeça da serpente na ponta da ilha, virada para o nascente e sua cauda foi amarrada na ponta da ilha, virada para o poente. Assim está até hoje esta serpente.
Essas e outras lendas pedem ser encontradas nos livros: ‘Lendas do Velho Chico’ e ‘Você acredita em Assombração?’ da professora e escritora Maria Franca Pires, ou no Blog De Lá pra Cá (www.parlim.blogspot.com.br).






