As soluções baseadas na natureza podem ter um papel importante na melhoria do abastecimento e na redução do impacto dos desastres naturais. Esta é a conclusão do Relatório Mundial das Nações Unidas sobre Desenvolvimento dos Recursos Hídricos.
O estudo, lançado às 14h30 desta segunda-feira (19), em Brasília, será apresentado ao mundo, pela primeira vez, no 8º Fórum Mundial da Água (veja mais abaixo). A programação do evento começou no sábado (17), mas a abertura oficial do fórum ocorre às 9h desta segunda-feira, com a presença de chefes de estado e do presidente Michel Temer. Os debates, palestras e exposições sobre a gestão dos recursos hídricos do planeta ocorrem até sexta-feira (23).
O relatório a ser lançado nesta tarde defende que reservatórios, canais de irrigação e estações de tratamento de água não sejam os únicos instrumentos de gestão hídrica à disposição. Para estes mesmos fins, a Unesco recomenda a chamada “infraestrutura verde”, ou seja, soluções baseadas na natureza (SbN).
Na prática, as sugestões para ampliar a qualidade, quantidade e o acesso a água seriam a extensão da cobertura vegetal – para pastagens, zonas úmidas e florestas – a recomposição de solos, jardins suspensos e, principalmente, a proteção das bacias hidrográficas.
A oficial de projetos de avaliação dos recursos hídricos da Unesco, Ângela Ortigara, explicou ao G1 o porquê desses mecanimos precisarem ser “mais valorizados”. No entendimento da pesquisadora que participou da elaboração do relatório, as soluções baseadas na natureza podem “melhorar a segurança hídrica, reduzir riscos de desastres e gerar benefícios aos envolvidos”.
Apesar dos benefícios, o relatório aponta que o mecanismo verde ainda é “subutilizado” em comparação com as “tecnologias cinzas”, como barragens e cisternas, por exemplo. “O relatório quer dizer que tem que se buscar o equilíbrio correto entre a duas infraestruturas.
“As infraestruturas verdes são subutilizadas. É preciso encontrar o equilíbrio correto, considerar elas na gestão da água.”
Um exemplo citado pela pesquisadora brasileira é o programa federal Produtor de Água, que oferece estímulo financeiro a agricultores que adotaram mecanismos de preservação ambiental. Em uso no Distrito Federal, a iniciativa é referência da Unesco de priorização das SbNs.
“Melhor gestão da agricultura, práticas sustentáveis e a proteção da mata ciliar são soluções verdes que ajudam a melhorar a qualidade do solo, a produção de alimentos e a qualidade da água.”
Boas práticas no mundo
Na esfera mundial, como exemplo de “práticas recomendáveis”, o relatório cita o exemplo do estado do Rajastão, na Índia. Em 1986 a região passou por uma das piores secas de sua história.
Durante os anos seguintes, uma ONG trabalhou junto com as comunidades locais para estabelecer estruturas de coleta de água e regenerar solos e florestas na região. A iniciativa levou a um aumento de 30% na cobertura florestal, os níveis das águas subterrâneas subiram em alguns metros e a produtividade das terras de cultivo aumentou.
Outro “case” citado no texto é o da China. Recentemente, o país asiático iniciou um projeto chamado Cidade Esponja, para melhorar a disponibilidade de água em aglomerados urbanos. Até 2020, a previsão, segundo o levantamento da Unesco, é de que serão construídas 16 cidades-esponjas pelo país.
“O objetivo é reciclar 70% da água da chuva por meio de uma maior permeação do solo, por retenção e armazenamento, e pela purificação da água e restauração de zonas úmidas adjacentes”, explica o documento.
Fórum Mundial da Água
O documento da Unesco será lançado nesta segunda (19), em uma sessão especial do Fórum Mundial da Água. A apresentação está prevista para as 14h30, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília.
Ao longo do dia, o evento vai debater estratégias para, segundo or organizadores, estabelecer compromissos políticos relacionados aos recursos hídricos. A proposta desta edição é “incentivar o uso racional, a conservação, a proteção, o planejamento e a gestão da água em todos os setores da sociedade”.
Para participar das mesas de discussão, é necessário fazer a inscrição pela internet. Os inscritos poderão participar de atividades e discussões sobre temas como água e energia, economia, alimentos, cidades e ecossistemas, debates políticos entre autoridades governamentais e parlamentares, grupo focal de sustentabilidade.
G1






