Debate acalorado entre candidatos à Reitoria da Univasf

A organização do debate teve dificuldades em conter a agitação das centenas de universitários que acompanhavam as discussões, vibrando após cada explanação dos candidatos.

Na tarde desta sexta-feira (04), o auditório da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), campus Petrolina (PE), foi cenário de um debate acalorado entre os candidatos que disputam a reitoria da instituição de ensino superior.  A chapa intitulada ‘Universidade Viva: Consolidar e Avançar’ – ou chapa 2 –, liderada por Paulo César da Silva Lima e o vice José Bismark Medeiros, debateram com os candidatos da chapa 1, ‘Univasf Plural e Democrática’, liderada por Julianeli Tolentino e o vice Telio Nobre Leite.

Centenas de estudantes acompanharam as discussões tanto no interior do auditório como na parte externa, onde o debate estava sendo retransmitido. O confronto de idéias foi bastante acalorado e a organização teve dificuldades em conter a agitação da platéia após cada explanação dos candidatos.

O debate foi organizado por uma comissão da própria instituição, com regras específicas a serem cumpridas, como se vê costumeiramente em debates políticos. Ao todo, foram quatro blocos de debate, cada um com metodologias diferentes: dois blocos onde os candidatos abordagem suas propostas sobre temas sorteados; um bloco com perguntas feitas pelos alunos; e um bloco com perguntas feitas de um candidato para o outro.

Várias temáticas foram abordaram no debate. Acompanhe algumas delas.

Investimentos em pesquisas e formação dos professores

Os candidatos da chapa 1, de oposição à atual reitoria da instituição, contestaram que a administração da Univasf precisa investir mais em pesquisas científicas e na qualificação dos professores. De acordo com Julianeli Tolentino, “os professores conseguem tirar leite de pedra” para realizar um trabalho decente na universidade. “A instituição precisa financiar seus próprios projetos científicos e não ser apenas um canal de repasse de editais de outras entidades”, criticou Tolentino.

A oposição ainda apontou que falta apoio na pós-graduação e defendeu a criação de um edital nacional para seleção de mestrado como medida para estimular a qualificação docente.

A chapa 2, “Universidade Viva: Consolidar e Avançar”, refutou a idéia reafirmando que o processo de seleção de mestres baseia-se na meritocracia (reconhecimento de mérito) e argumentou que os candidatos da oposição não possuem conhecimentos precisos sobre os programas de incentivos aos profissionais de educação da Univasf. Paulo César da Silva, líder da chapa 2, salientou que universidade possui quatro cursos de mestrados e dois de doutorados em processo de avaliação pelo MEC, e a perspectiva é que mais cursos de pós-graduação sejam implementados em breve.

Assistência Estudantil

Ao abordar este tema, a chapa 2, vinculada à atual reitoria, defendeu que a Univasf tem feito muitos investimentos que beneficiam estudantes de todos os campi. Segundo Paulo César da Silva, atualmente a Univasf oferece aproximadamente 500 bolsas permanência para alunos de baixa renda, com auxílio de R$ 360 mensais para cada aluno integrante do programa. Residências estudantis, contratação de nutricionistas – para controlar a qualidade dos alimentos nos restaurantes universitários – e ônibus estudantil são algumas das realidades já vivenciadas pelo corpo discente da instituição, explanou Paulo César.

Deficiência no andamento das obras

A chapa de oposição afirma que a Universidade passa por um “caos nas construções”. Tolentino indagou que, se fossem somados os atrasos de apenas três obras em andamento na Univasf, chegariam ao número de mil dias em atraso. O professor critica que as justificativas para tais atrasos não foram apresentadas a comunidade acadêmica e nem para o Conselho Universitário – órgão regulador do setor.

Paulo César rebateu as críticas afirmando que a instituição tem crescido num ritmo acima do comum, tanto na sede, em Pernambuco, quanto nos outros campi da instituição, na Bahia e no Piauí. Ele assumiu que há atrasos em algumas obras por fatores variados, que em muitos casos estão fora do controle da reitoria e fazem parte do processo natural dos projetos de melhoria em infra-estrutura. “É uma análise ingênua achar que numa instituição desta grandeza os prazos de construção são seguidos à risca”, argumentou Paulo César.

O candidato e o seu vice destacaram ainda que a Univasf já pode ser considerada, hoje, uma grande conquista. “A nossa universidade não foi criada a partir de outros modelos. Ela foi pensada e planejada. É um projeto que saiu da poeira, de casas emprestas e hoje nos traz dignidade”, ressaltou Paulo César, concluindo o pensamento: “A nossa universidade não foi criada para perpetuar o pré-conceito contra o nordestino, é e por isso que talvez agrida tanto a alguns”.

A impressão dos universitários sobre o debate

Para muitos estudantes da instituição, o debate foi um momento oportuno para conhecer melhor os candidatos à reitoria e suas propostas de melhoria para a universidade. Mas as discussões levantadas não foram tão conclusivas para alguns deles.

É o caso de Eduarda Vidal, estudante do quarto período de enfermagem. “O clima do debate foi bem alterado. Alguns pontos importantes deixaram de ser discutidos porque houve muita troca de ataques. Eu não sei bem em quem vou votar, mas pelo menos conheço um pouco mais o perfil dos candidatos”, comenta.

Os universitários Raquel Granja e Camuel Vieira, ambos estudantes de medicina veterinária, também continuam com dúvidas, mas antecipam que na sua escolha vão pesar bastante a evolução observada por eles na Univasf e a experiência dos candidatos na administração da instituição. “É impossível dizer que uma instituição de ensino superior não tem problemas. Mas é importante observar que os gestores têm lutado para conseguir o necessário para que as aulas aconteçam. Estamos vendo e vivendo isso, não podemos negar”, conclui o casal.

Já para o estudante de psicologia, Felipe Costa, o debate não apresentou nada de novo. Ele está integrado às discussões a cerca da nova reitoria e já desclassificou uma das chapas para receber o seu voto. “A outra ainda não conseguiu me convencer de que é melhor para a instituição. Se for assim até o final, o meu voto vai ser nulo”, completa Felipe.

 

Por Ricardo Alves

Foto: Cristina Duarte

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