‘Gestão será a prioridade’, diz novo ministro das Cidades

‘Vivemos um período de grande ceticismo em relação aos políticos’, disse.

A presidente Dilma Rousseff, durante posse do novo ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, nesta segunda (9). (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)

Novo ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro tomou posse na tarde desta segunda-feira (9), durante solenidade no Palácio do Planalto. Alçado ao cargo após a demissão de seu correligionário Mário Negromonte, que deixou o governo após uma série de denúncias sobre a gestão da pasta e a exoneração de dois servidores da cúpula do ministério, Ribeiro relembrou em seu discurso seu passado político e disse estar ponto para o nível de exigência da presidente Dilma Rousseff.

“Venho de uma família de tradição política e nos dias atuais é forçoso reconhecer […] que vivemos um período de grande ceticismo em relação aos políticos”, disse Ribeiro, que tem sido acusado de irregularidades em seu estado de origem, a Paraíba.

“Já estou me preparando para enfrentar o espancamento”, afirmou ao se referir à maneira, classificada por ele como “rigorosa”, como Dilma toca o governo, e ao discurso do ministro Aloizio Mercadante (Educação), no mês passado, durante a posse de Marco Antonio Raupp (Ciência e Tecnologia). Na ocasião, Mercadante disse a Raupp para não tentar convencer Dilma. Segundo afirmou, ela submeteria seus projetos a um “espancamento” para verificar se “fica de pé”.

“Gestão será a prioridade do seu novo ministro, será nosso foco, nossa diretriz, minha maior missão no Ministério das Cidades”, disse. “Isso, ao meu ver, é que significa modernidade na forma de fazer política. É romper o falso dilema entre política e gestão. A boa gestão na vida pública tem que ser política, no sentido mais amplo”, completou.

‘Factóides’

Ribeiro voltou a afirmar na tarde desta segunda, logo após assumir o comando da pasta, que as supostas irregularidades de que é suspeito na época em que foi secretário de Agricultura da Paraíba são “factóides”. Ele é suspeito de não ter declarado empresas à Justiça Eleitoral antes de concorrer a deputado federal nas eleições de 2010. Segundo ele, todas as informações foram declaradas no imposto de renda.

“Sobre a omissão de empresas, está tudo declarado na receita. E quem tentar fazer factóide, não existe. As empresas estão declaradas. Está na declaração de renda. Não adianta tentar criar factóides. Não existem”, afirmou.

Ribeiro, que era líder do PP na Câmara dos Deputados, afirmou que não tem o que temer, e que está “absolutamente tranquilo” para a nova missão. “Minha vida é aberta. Eu não tenho o que temer. Eu acho que fui extremamente averiguado nestes dias anteriores de assumir o ministério. O próprio governo fez essa avaliação e estou absolutamente tranquilo. Não tenho nada a esconder”, afirmou.

Para os próximos dias, Ribeiro promete fazer uma avaliação no ministério, e não descartou a mudanças de quadros na pasta. Segundo ele, a intenção é reforçar os quadros técnicos do ministério. “Vamos montar uma equipe com a consicência que tenhamos um corpo de técnicos eficientes, com uma competência para cada áreas temática. A intenção é fazer uma avaliação a partir de amanhã [terça-feira], mas sobretudo buscar no Brasil os melhores quadros para que possamos ter eficiência e eficácia”, afirmou.

Licença da Câmara

No início da tarde, Ribeiro foi à Câmara entregar o pedido de licença do cargo de deputado federal. Em seu lugar, deve assumir o suplente Armando Abílio Vieira (PTB-PB).

No documento encaminhado ao presidente da Casa, Marco Maia (PT-RS), Ribeiro pediu para manter seu salário de deputado federal, de R$ 26,7 mil. Com isso, ele perde direito à remuneração de ministro, de mesmo valor.

Com a troca nas Cidades, o ex-ministro Mário Negromonte (PP-BA) reassume o mandato de deputado federal. Com sua volta à Câmara, deixa o mandato o Zé Carlos da Pesca (PP-BA), que estava em seu lugar.

Negromonte

Em seu discurso de despedida, o ex-ministro das Cidades, Mário Negromonte, negou que tenha havido qualquer tipo de irregularidade na sua gestão na pasta e disse ter atuado sempre dentro da lei.

“Assim pautamos nossa atuação, presidenta: sempre e sempre na estrita aderência dos ditames da lei. Podemos afirmar, senhora presidenta, por toda a força dos nossos princípios republicanos: não há nenhuma irregularidade na nossa gestão frente ao Ministério das Cidades. Nenhum processo, nada, absolutamente nada. Saio como entrei. Sem nenhum processo e de cabeça erguida”, disse.

Negromonte afirmou que terá duas missões a seguir na sua atuação como deputado, a de apoiar o governo da presidente Dilma e a de “contribuir com a unidade do PP”.

O ministro disse ainda que, enquanto ministro, trabalhou “diuturnamente para cumprir as metas estabelecidas pelo governo”. Ele destacou, contudo, que o “quadro de restrição financeira nos impôs dificuldades”, quadro esse que teria sido “agravado” por disputas políticas. “Importante destacar que procuramos e conseguimos imprimir uma gestão transparente e colaborativa”, declarou.

Com a saída, Negromonte reassume o mandato de deputado federal pelo PP-BA. Ele é o nono ministro a deixar o governo Dilma – o oitavo por demissão (a exceção é Fernando Haddad, que saiu da Educação para disputar a eleição de prefeito de São Paulo).

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