As campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) deflagraram uma guerra digital em busca dos votos neste segundo turno. Uma das apostas dos petista é comandada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). O parlamentar convocou o “Exército de Lula” pelo WhatsApp para uma mobilização massiva via redes sociais — até essa sexta-feira, o canal registrava 3 milhões de seguidores. Do outro lado, a campanha da extrema-direita anunciou a criação da “Tropa do Flávio”, também no WhatsApp, que contava, até o fechamento desta edição, com pouco mais de um milhão.
Em uma live para a militância, Janones orientou sobre publicações coordenadas e distribuição de conteúdos para alcançar eleitores indecisos. A estratégia prevê chegar a cinco milhões de apoiadores mobilizados nas plataformas. “Não estamos nos anos 80 mais, estamos em 2026. É aqui que a coisa é decidida. A gente perdeu o primeiro turno só na rede social”, enfatizou.
A mudança de estratégia também passa pela linguagem utilizada pela militância. Janones pediu que os apoiadores deixem de lado termos técnicos e abordagens que considera distantes do cotidiano popular. Em vez disso, defendeu a divulgação de temas como o Prouni, o Bolsa Família e o fim da escala de trabalho 6 x 1, com mensagens diretas e de fácil compreensão.
Denúncia
A Coligação Brasil Pronto Pra Mais acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com uma série de representações que apontam desde uma suposta manipulação do alcance de publicações favoráveis ao petista até um esquema de remuneração em criptomoedas para impulsionar conteúdos ligados ao adversário.
Uma das principais frentes mira a Meta, responsável pelo Facebook e pelo Instagram. Segundo a coligação, publicações favoráveis a Lula ou críticas a Flávio teriam sofrido redução significativa ou até interrupção do engajamento. A campanha sustenta que os relatos levantam suspeitas sobre o tratamento dado pelas plataformas aos conteúdos políticos e pede que o TSE determine critérios isonômicos na distribuição das publicações, sob o argumento de que uma eventual restrição injustificada poderia comprometer o equilíbrio da disputa presidencial.
Outra ofensiva tem como alvos Flávio; o vice dele, Alfredo Gaspar; Pablo Marçal e os responsáveis pelo projeto de criptomoedas Brasil 22 Token (B22). A campanha petista suspeita de abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação para favorecer o senador.
Segundo a ação, o projeto oferece 30 mil tokens às primeiras mil pessoas que divulgarem a iniciativa nas redes sociais. A representação também menciona um perfil estrangeiro com 12,9 milhões de seguidores que teria recebido 120 milhões de tokens e publicado um vídeo de crianças ugandenses pedindo votos no número 22. O site do B22 nega que a distribuição das moedas esteja condicionada à propaganda eleitoral.
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Os fatos também foram encaminhados à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) para apuração de possíveis crimes eleitorais.
Procurada pelo Correio, a Meta alegou falhas técnicas. “Identificamos um problema técnico afetando algumas métricas de vídeos. Estamos trabalhando para resolver essa questão o mais rápido possível”, informou. A manifestação, porém, não esclarece quais vídeos foram afetados, a dimensão do problema ou se houve impacto na distribuição das publicações.
Fonte: Correio Braziliense
